Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

COMUNICADO sobre a encenação da guerra das laranjas

Carta aberta aos oliventinos

 

A ninguém escapa a controvérsia sobre a “Macro-representação da guerra das laranjas” que a nossa câmara municipal planeia celebrar em Olivença. Não questionamos as boas intenções de promover eventos que impulsem o turismo, e menos a sua soberania para realizar aquilo que considerar oportuno. Mas isso não impede a expressão de vozes contrárias a tal ideia.

 

Na associação cultural “Além Guadiana” sentimos o compromisso de exprimir o nosso humilde ponto de vista. Respeitamos esta iniciativa, mas não a partilhamos. Abordar, embora parcialmente, este episódio histórico pode reabrir feridas em torno de um velho contencioso, gerando efeitos contrários aos pretendidos. Quer dizer, recuar muito no caminho destes anos.

 

Um assunto tão delicado não deveria ser levantado de modo tão leviano. Aquilo que gira em torno deste episódio, que supôs a passagem de Olivença para administração espanhola, é objeto de controvérsia na esfera da historiografia, do direito ou da diplomacia. Isso não implica considerá-lo um tema tabu, mas há outras maneiras de tratá-lo, por exemplo através de congressos nos quais historiadores e estudiosos o abordem de um ponto de vista académico.

 

Achamos bem promover teatralizações históricas, de época espanhola ou portuguesa, com a maior sensibilidade e rigor. E precisamente a história da nossa terra está cheia de episódios apaixonantes e singulares, que podem ser recriados sem necessidade de tocar um assunto tão delicado.

 

A guerra das laranjas, com o conseguinte Tratado de Badajoz e a suas consequências diretas, supuseram um trauma afetivo, económico e cultural para os oliventinos de então, antepassados nossos. E é aqui onde está o principal paradoxo, porque nos parece contraditório sermos nós, oliventinos, a aderir à lembrança de um feito que significou tanto sofrimento.

 

Há muita coisa boa neste debate, surgido repentinamente; um debate que não deve ser feito na base de confrontos, mas construtivamente. Não com a conjuntura do anedótico, mas com a profundidade do importante. O que deve ser posto em causa não é só o maior ou menor acerto de uma encenação concreta, mas o próprio modelo de Olivença que nós, oliventinos, queremos para nós próprios. O debate é histórico e o momento é chave, porque estamos na encruzilhada de resolver regressar a um padrão incompleto da nossa identidade ou redobrar os nossos esforços para um modelo bicultural, reconciliando-nos com a nossa própria história, que não é melhor nem pior do que outras, mas diferente. E é nossa.

 

No Além Guadiana trabalhámos pela nossa herança cultural portuguesa, aprofundando o labor já iniciado por tantas pessoas e instituições. E isso é feito de maneira altruísta, independente e apolítica, empenhados num modelo no qual, culturalmente, nos sintamos tão próximos de Olivenza como de Olivença, fazendo da expressão “as culturas somam” a nossa máxima. Tão nossa é a história dos oliventinos do século XVI que tripularam galeões rumo ao Brasil como a dos que viram nascer a União Europeia no século XX.

 

Estamos convencidos que temos que olhar sem complexos para Portugal, que não só está além do Guadiana, mas também entre nós, no nosso património histórico, monumental, cultural e linguístico. Olivença é única na península Ibérica, pela singularidade e riqueza do que possui. Mas fica muito por fazer para fortalecer a parte mais fraca da nossa cultura. É necessária a sensibilização dos cidadãos, o compromisso das nossas instituições.

 

Pensamos que os nossos representantes institucionais e o povo oliventino partilham boa parte desta visão. E desejamos que o sereno debate nos leve a reafirmar esse modelo bicultural e integrador, que constitui a melhor ferramenta para o nosso desenvolvimento identitário, cultural e turístico.

 

Associação Cultural “Além Guadiana”. Olivença. www.alemguadiana.com

 

 

 

Carta abierta a los oliventinos

 

A pocos escapa la controversia sobre la “Macrorrepresentación de la guerra de las naranjas” que nuestro ayuntamiento planea celebrar en Olivenza. No cuestionamos sus buenas intenciones a la hora de promover eventos que impulsen el turismo, y menos su soberanía para realizar aquello que considere oportuno. Pero ello no impide la expresión de voces contrarias a tal idea.

 

Desde la asociación cultural “Além Guadiana” sentimos el compromiso de expresar nuestro humilde punto de vista. Respetamos, pero no compartimos, esta iniciativa. Abordar, aunque sea parcialmente, este episodio histórico puede reabrir heridas en torno a un viejo contencioso, generando efectos contrarios a los pretendidos. Es decir, desandar mucho de lo andado en estos años.

 

No debería tocarse un asunto tan delicado de modo tan liviano. Aquello que gira en torno a este episodio, que supuso el paso de Olivenza a administración española, es objeto de controversia en la esfera de la historiografía, el derecho o la diplomacia. Ello no implica considerarlo un tema tabú, pero hay otras maneras de tratarlo, por ejemplo a través de congresos en los que historiadores y estudiosos lo aborden desde un punto de vista académico.

 

Vemos bien promover teatralizaciones históricas, sean de época española o portuguesa, desde la mayor sensibilidad y rigor. Y, precisamente, la historia de nuestra tierra está sobrada de episodios apasionantes y singulares, que pueden ser recreados sin necesidad de tocar un asunto tan delicado.

 

La guerra de las naranjas, con el consiguiente Tratado de Badajoz y sus consecuencias directas, supusieron un trauma afectivo, económico y cultural para los oliventinos de entonces, antepasados nuestros. Y aquí se encuentra la principal paradoja, pues encontramos contradictorio que seamos nosotros, oliventinos, quienes nos sumemos a rememorar un hecho que supuso tanto sufrimiento.

 

Hay mucho de bueno en este debate repentinamente surgido; un debate que no debe plantearse desde la confrontación, sino de manera constructiva. No desde la coyuntura de lo anecdótico, sino desde la profundidad de lo importante. Lo que debe plantearse no es sólo el mayor o menor acierto de una teatralización concreta, sino el propio modelo de Olivenza que los oliventinos queremos para nosotros mismos. El debate es histórico y el momento clave, pues estamos en la encrucijada de decidir regresar a un patrón incompleto de nuestra identidad o redoblar nuestro esfuerzo hacia un modelo bicultural, reconciliándonos con nuestra propia historia, que no es mejor ni peor que la de otros, pero es diferente. Y es nuestra.

 

Desde Além Guadiana hemos trabajado por nuestra herencia cultural portuguesa, ahondando en la labor ya iniciada por tantas personas e instituciones. Y ello de manera altruista, independiente y apolítica, ilusionados por un modelo en el que, culturalmente, nos sintamos tan próximos a Olivenza como a Olivença, haciendo de la expresión “las culturas suman” nuestra máxima. Tan nuestra es la historia de los oliventinos del siglo XVI enrolados en galeones rumbo al Brasil como la de los que vieron nacer la Unión Europea en el siglo XX.

 

Estamos convencidos de que hay que mirar sin complejos a Portugal, que no sólo está más allá del Guadiana sino entre nosotros, en nuestro patrimonio histórico, monumental, cultural y lingüístico. Olivenza es única en la península, por la singularidad y riqueza de lo que posee. Pero queda mucho que hacer para fortalecer la parte más débil de nuestra cultura. Es necesaria la sensibilización de los ciudadanos, el compromiso de nuestras instituciones.

 

Pensamos que nuestros representantes institucionales y el pueblo oliventino comparten buena parte de esta visión. Y deseamos que el sereno debate conduzca a reafirmar ese modelo bicultural e integrador, que constituye la mejor herramienta para nuestro desarrollo identitario, cultural y turístico.

 

Asociación Cultural “Além Guadiana”. Olivenza. www.alemguadiana.com

 

Sentimo-nos: dignos
Música: digna
Publicado por AG às 13:08
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Comentário(s):
De olivencalivre a 23 de Janeiro de 2012 às 14:51
JORNAL "DIÁRIO DO SUL" (ÚNICO JORNAL DIÁRIO DO ALENTEJO E ALGARVE), 23 de Janeiro de 2012
DIÁRIO DO SUL, 23 de Janeiro de 2012

(POESIA EM DÉCIMA. Para quem não sabe: estilo de poesia alentejana em
que há um mote, e
um desenvolvimento em estâncias de dez versos em que o último vai
reproduzindo cada um
dos versos do mote, pela sua ordem)

GUERRA DAS LARANJAS EM 2011
(a propósito da ideia do "Alcalde" de Olivença de fazer representar em 2012 a Guerra das Laranjas de 1801, como motivo principal de uma encenação teatral da História de Olivença, em que se pretende representação portuguesa)

Mote:
Porque é bom lembrar o passado
Se dele se tiraram lições
O mesmo não pode ser usado
Deixando de lado as precauções

1
Tem sido bem contraditória
Viver na Terra das Oliveiras;
Em cada guerra foi das primeiras
A sofrer em nome da glória
De quem alcançava a vitória!
Um novo "alcalde" determinado
Decidiu que no padroado
revivida fosse ocorrência
(uma velha reminiscência)
PORQUE É BOM LEMBRAR O PASSADO.

2
Das Laranjas, a Guerra maldita
Foi a escolhida como refrão
Para toda uma celebração
Que se deseja muito bonita
Ocultando séria desdita.
Será difícil descobrir razões
P'ra qu'uma tal guerra de traições
Tenha sido facto escolhido,
Pois que só mereceu ser vivido
SE DELE SE TIRARAM LIÇÕES.

3
Aceita-se que não era ofensa
O que se queria fazer afinal
Com este espetáculo sem igual!
Mas a cidade de Olivença
Transporta em si a diferença!
Em tão peculiar povoado
Nunca se pode ser descuidado
Para atingiro que se pretende!
Se o passado muito ofende
O MESMO NÃO PODE SER USADO.

4
Quer-se até do País vizinho
Participação nos festejos
E que se façam mesmo cortejos
E se beba em conjunto o vinho
Sem motivos para burburinho.
Mas não chegam as boas intenções
Para se fazerem celebrações
Poia as feridas da História
Nunca se apagam da memória
DEIXANDO DE LADO AS PRECAUÇÕES!

Estremoz, 8 de Dezembro de 2011
Carlos Eduardo da Cruz Luna
De olivencalivre a 19 de Fevereiro de 2012 às 15:59
TVI24 19-Fevereiro-2012 //PARTIDO SOCIALISTA: «O ASSUNTO» DE OLIVENÇA PREOCUPA O P.S.
«O assunto» de Olivença preocupa o PS
Socialistas pedem ao Governo para tentar impedir «megaprodução» em Olivença

Por: tvi24 / PP | 19- 2- 2012 15: 0



O PS pediu ao Governo para tentar impedir «uma megaprodução» que diz estar a preparar-se em Olivença para comemorar a Guerra das Laranjas de 1801, o «facto histórico» que assinala a anexação daquele território por Espanha, nunca reconhecida internacionalmente.

«O assunto» de Olivença é «reconhecidamente delicado e tem-se revestido de cuidados especiais, de forma a evitar ferir susceptibilidades históricas e nacionais», lê-se numa pergunta enviada na sexta-feira ao ministro de Estado e do Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, assinada por seis deputados socialistas: Maria de Belém Roseira, Alberto Martins, Paulo Pisco, Basílio Horta, Gabriela Canavilhas e Laurentino Dias.

«Acontece, no entanto, que após as últimas eleições autárquicas em Espanha, realizadas em maio de 2011, o Ayuntamento de Olivença passou a ser dirigido pelo Partido Popular, tendo o novo executivo decidido realizar em Junho próximo uma megaprodução que consiste na reconstituição da Guerra das Laranjas, facto histórico que ocorreu em 1801, e que assinala a anexação de Olivença por parte de Espanha», acrescentam os deputados do PS, que dizem tratar-se de uma celebração de 18 dias da «derrota da população oliventina».

Os deputados socialistas consideram que «seria avisado uma intervenção no sentido de impedir a realização da reconstituição da Guerra das Laranjas, para evitar melindres diplomáticos e nas populações de Olivença e nas de outros municípios vizinhos em Portugal».

Perguntam por isso a Paulo Portas se «tem conhecimento» destes planos das autoridades de Olivença, se considera ou não esta celebração «inadequada, dado que Portugal não reconhece a soberania de Espanha sobre Olivença» e se pondera «intervir, pelo menos diplomaticamente, para que tal reconstituição não se produza».

Os deputados do PS referem no mesmo texto que o anúncio desta «megaprodução» tem sido «muito polémico e tem suscitado muitas críticas de vários sectores dos dois lados da fronteira», precisamente pelo potencial ofensivo e de hostilidade que comporta relativamente a uma situação clara à luz do Direito Internacional, mas que "de facto" ainda não está resolvida».

Os socialistas referem, a este propósito, que o Direito Internacional nunca reconheceu a anexação de Olivença por Espanha e que o Acto Final do Congresso de Viena estabeleceu «que Espanha procederia à retrocessão para Portugal» daquele território, «o que nunca veio a acontecer, até hoje», estando por definir as fronteiras definitivas na «linha de território correspondente a Olivença».

Em declarações à Lusa, o deputado Paulo Pisco explicou que o objectivo do PS é «tentar sensibilizar» o Governo para uma iniciativa que «de alguma maneira fere algumas susceptibilidades em termos históricos», destacando que «vem interromper uma tradição de aproximação e cooperação entre as populações de Olivença e do outro lado da fronteira, em Portugal».

«Julgamos que é um pouco desnecessário avançar com uma reconstituição que fere a sensibilidade dos portugueses e dos oliventinos», acrescentou.
De olivencalivre a 13 de Abril de 2012 às 13:47
Semanário "SOL", 13 de Abril de 2012
PORTAS MAIS PRÓXIMO DA TURQUIA (segue-se notícia)...E À DISTÂNCIA NA POLÉMICA DE OLIVENÇA
«MNE "acompanha" recriação da Guerra das Laranjas»

O Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) «teve conhecimento» da intenção do alcaide de Olivença em fazer uma recriação da Guerra das Laranjas e está a «acompanhar muito atentamente a respectiva evolução». É a única declaração do gabinete de Paulo Portas, a propósito da celebração do momento da anexação do território de Olivença por parte de Espanha, mrcado para Junho. E surge em resposta a um requerimento do PS.
O Grupo dos Amigos de Olivença foi recebido no Parlamento pelo deputado do CDS Lino Ramos, que transmitiu ao MNE as suas queixas relativas à recriação da Guerra das Laranjas. Contactado pelo "SOL", o MNE não quis acrescentar mais nada sobre eventuais diligências e o secretário-geral do CDS negou que tivesse contactado o alcaide de Olivença, que pertence ao PP, para o demover.
O caso de Olivença é uma pedra no sapato nas boas relações diplomáticas que Portugal mantém com Espanha. A anexação daquele território por Espanha em 1801 nunca foi aceite internacionalmente, mas o Estado português nunca lutou, na prática, por o recuperar.

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