Terça-feira, 17 de Julho de 2012

"De Espanha, nem bom vento nem bom casamento" (livro de Virginia López)

DE ESPANHA NEM BOM VENTO NEM BOM CASAMENTO

VIRGINIA LÓPEZ


Sempre ouvimos dizer que De Espanha nem Bom vento nem bom casamento. Mas o que é certo é que conhecemos cada vez mais casais em que um deles é espanhol. Será que esta expressão tem alguma razão de ser?

Ou será que as duas culturas juntas funcionam na perfeição? Virginia López, jornalista do El Mundo e da Cadena SER em Portugal e casada com um português, tentou responder a esta questão indo mais além na história dos dois países. Descubra o que nos une e o que nos separa, desde o século XI até aos dias de hoje.  Este livro parte de uma investigação histórica exaustiva, para num tom bem-humorado, contar os casamentos, uniões, traições e batalhas entre portugueses e espanhóis.

 

«Aquilo que Virginia López nos desvenda neste livro, com um humor tão fino e inteligente, é que Espanha e Portugal têm mais passado em comum do que aquele que alguns – ai esses alguns – querem aceitar. Porque, portugueses e espanhóis, somos todos filhos da mistura de culturas, sangues, projetos, sonhos, afinidades e deslealdades. E se a história pode ser contada de várias maneiras, do passado ninguém se livra. Nesse passado, no qual Virginia mergulha na qualidade de jornalista e ofício de escritora, existem figuras grotescas, malvadas, desgraçadas e extravagantes, um património que já era tempo de se unir num só livro que é, simultaneamente, catálogo de encontros e desentendimentos, ou seja, de vida vivida em comum e entre gente nascida na mesma terra embora falando de forma diferente (4)» Pilar del Río, in Prefácio.

 

«Portugal só existe porque foi uma prenda de casamento para uma simples bastarda castelhana e isto numa altura em que ainda não tinham sido inventadas as listas de casamento do El Corte Inglés». É desta forma provocadora que Virginia López, correspondente do jornal El Mundo em Portugal há 5 anos, começa este livro de forma a apurar se a expressão que tanto ouvimos e em que tanto acreditamos De Espanha nem bom vento nem bom casamento tem alguma razão de ser. Da bastarda D. Teresa, mãe do primeiro rei de Portugal, passando pela galega Inês de Castro, a castelhana Rainha Santa Isabel, a única que Portugal teve santa, à passagem pelos Filipes, à famosa Batalha de Aljubarrota tão falada por portugueses e tão desconhecida dos castelhanos, ou às relações de «amizade» entre Franco e Salazar, José Sócrates e Zapatero.

 

Ficha detalhada: De Espanha Nem Bom Vento Nem Bom Casamento de Virginia López

Autor

Virginia López

Editora

A Esfera dos Livros

Data de Lançamento

Julho 2012

ISBN

9789896263928

Dimensões

16 x 23,5 cm

Nº Páginas

264

Encadernação

Capa mole

 

 

Sentimo-nos: ventoinhas
Música: de casamento
Publicado por AG às 13:01
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Comentário(s):
De Francisco Pólvora a 18 de Julho de 2012 às 03:11
Parece que o título da obra se confirma a si próprio, pelos excertos tão curtos que leio aqui e já com tantas distorções e num tom agressivo, tão típico castelhano.
1 - O pai de D. Teresa era o rei de Leão e Castela, portanto D. Teresa era leonesa, não castelhana. E nesse tempo quem tinha o poder era Leão. Mais ainda, parece que nasceu na Galiza ou no futuro Portugal, seria galega portanto.
2 - A Rainha Santa Isabel era Isabel de Aragão, não era castelhana. O grande reino de Aragão, nesse tempo, era forte e independente e não estava submetido à pequena Castela.
3 - É dito que a Rainha Santa foi a única santa portuguesa. Falso. Antes da nacionalidade, portanto galegas ou leonesas: Santa Iria de Tomar, Santa Quitéria, Santa Senhorinha de Bastos. Depois da nacionalidade: Santa Beatriz da Silva
É uma pena sra. jornalista. Este livro vai dividir-nos e não unir-nos.
De olivencalivre a 3 de Agosto de 2012 às 14:40
Livro "DE ESPANHA NEM BOM VENTO NEM BOM CASAMENTO", de Virgínia Lopez Rodríguez, ed. A Esfera dos Livros, Lisboa 2012/Prf. Pilar del Rio//Tradução de Marta Paixão
[NOTAS DA EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DE QUEM COLOCOU ESTE TEXTO NA "NET"!!]
CAPÍTULO 23 (páginas 184-190)//
OLIVENÇA É NOSSA!(PARTE 1)
Estavam os reinos de Espanha e Portugal tão calminhos no início do século XIX, com D, Carlos IV do lado espanhol e D. João VI do lado português a reinar na paz de Deus nosso Senhor... e teve de vir um tal de Manuel Godoy lixar o esquema a toda a gente. E embora pareça mentira, desta vez a culpa não foi de uma infanta castelhana, embora D. Carlota Joaquina não fique totalmente a salvo, ela que foi espanhola de nascença e rainha portuguesa de casamento, que fez poucas e boas e por isso merece um capítulo inteiro só para ela. Neste caso, a culpa das aspirações megalómanas de Manuel Godoy foi dos Franceses, mais precisamente de Napoleão Bonaparte. Não foi preciso grande coisa para aquecer os ânimos do já de si suficientemente ambicioso valido de D. Carlos IV; bastou que Bonaparte lhe dissesse que uma vez conquistado Portugal dividi-lo-iam em fatias, como com os queijinhos da "Vaca Que Ri", e o queijinho dos Algarves seria para ele se proclamar rei (1). Parece mentira que este espanholito de meia-tigela - ainda está para se saber ao certo como conseguiu chegar ao cargo mais alto da governação de um país, embora digam as más-línguas que foi à base de se meter na cama não só da rainha mas também do rei - caísse tão facilmente num estratagema tão antigo e simples como o conto do vigário, neste caso, na sua versão napoleónica.
Para termos uma ideia, esta história de Godoy e Napoleão é muito parecida com um daqueles programas de televisão locais onde se prometem mil euros imediatos a quem telefonar nesse mesmo instante e responder corretamente a uma pergunta, tão fácil quanto absurda, do género «Qual é a capital de Portugal?» . E como se ainda não fosse completamente evidente a resposta para a maioria dos telespetadores, os apresentadores, geralmente raparigas elétricas, exuberantes e com pouca roupa, na chamada telefónica fornecem pistas ainda mais disparatadas, como por exemplo: começa por L e acaba em «boa». E embora o truque pareça mais óbvio do que o do coelho na cartola, ainda há inúmeras pessoas a morder o isco, como aquela dona de casa aborrecida que pela primeira vez na vida sabe a resposta não para de telefonar apesar da musiquinha que aparece enquanto uma voz amável e muito pausada lhe diz «aguarde alguns instantes por favor, pois as nossas linhas estão todas ocupadas, atenderemos a sua chamada logo que possível». E embora insista, porque sabe a resposta, é óbvio que é Lisboa, perante a falta de atendimento, acaba por desistir, triste por não ter ganho os mil euros que tanto jeito lhe faziam para fazer uma obrinhas em casa ou para se oferecer a ela própria um mimo, como dizem sempre os que ganham a lotaria do Natal. O pior, claro, é a fúria do marido quando no mês seguinte chega a disparatada conta do telefone, já que cada chamada tinha um valor acrescentado que estava escrito em letra pequena demais para que a ingénua da mulher, sem óculos porque não estava a coser, pudesse ter visto.
Cara foi também a conta que acabou por pagar Manuel Godoy ao morder o isco do concurso de Napoleão Bonaparte (1), ele, que se achava tão esperto por ter engatado tanto o rei D. Carlos IV como a mulher, a rainha Maria Luísa, acabou por cair nas redes da emboscada do francês como o mais parvo dos espanhóis. É o que dá cuspir para cima, acaba-se sempre molhado. E Godoy até tinha tentado tornar-se um herói... mas nem para isso o espanhol teve estofo.

DEZOITO DIAS DE UMA GUERRA PARA A QUAL OS PORTUGUESES TIVERAM UMA ENORME PREGUIÇA

No dia 20 de Maio de 1801, Manuel Godoy atravessava com o seu exército espanhol a fronteira do Alentejo. Olivença foi a primeira praça a cair, tão facilmente como matar uma mosca distraída em cima de uma mesa. Não foi tanto pela falta de valentia dos seus habitantes, mas sim porque Olivença não estava em condições de se defender, pois tinha falta de homens e de fortalezas. (CONTINUA)
De olivencalivre a 3 de Agosto de 2012 às 14:45
CONTINUAÇÃO//PARTE 3)
UM MÊS DEPOIS DE UMA GUERRA RIDÍCULA, PORTUGAL E ESPANHA ASSINAM A PAZ

No dia 6 de Junho de 1801, Portugal e Espanha assinavam a paz com o Tratado de Badajoz. Na verdade, se não tivesse sido a criancice de Godoy, que embirrou que tinha de brincar aos soldadinhos na vida real, o mais provável era que o rei espanhol D. Carlos IV e o príncipe regente D. João VI - que além disso eram sogro e genro - terem encontrado uma solução para o conflito de outra maneira. E a situação ter-se-ia reduzido a uma anedota, como a das laranjas, se não fosse o facto de nas negociações que os dois países levaram a cabo para assinar aquele tratado ter ficado atravessada, tal como uma espinha na garganta, a questão de Olivença.
- Foi uma conquista de um importante ponto estratégico - defendia o valido espanhol perante o seu rei, satisfeito por a guerra com os vizinhos ter acabado tão depressa e não ter sido muito sangrenta, já que temia que se demorasse muito, a sua filha Carlota Joaquina sofresse represálias no país de acolhimento devido á teimosia do seu valido. Quantas vezes tentara ele tirar-lhe a ideia da guerra da cabeça! Mas Manuel Godoy insistia que, como sócios dos franceses, tinham de impedir a aliança luso-britânica.
- Expulsem os barcos ingleses dos vossos portos e assim evitareis a guerra - avisou Godoy a Portugal através dos seus embaixadores. E embora o príncipe regente luso tivesse uma preguiça enorme para organizar um exército para enfrentar Espanha como já o tinham feito anteriormente os seus antepassados - os Braganças não pareciam tão intrépidos e valentes como os Bolonheses ou os Avis -, D. João VI acabou por fazer como os Catalães, pôs-se do lado do dinheiro e decidiu que pior seria perder os negócios comerciais com os ingleses do que uns quantos homens numa hipotética guerra que, por outro lado, sendo o vizinho seu sogro, achava que não se ia realizar. Qual não foi o espanto de Portugal ao aperceber-se de que a teimosia de Godoy lhe iria custar Olivença.
- Foi uma usurpação - protestaram os portugueses no Congresso de Viena que se realizou em 1815, como a criança que no parque se queixa à mãe que o amiguinho lhe tirou um dos seus carrinhos preferidos. «Estes miúdos... passam a vida a discutir mas depois querem estar sempre juntos...», comentam as respetivas mães, enquanto comem "pipas" ou tremoços, conforme a nacionalidade que tenham, e tanto podiam estar a falar dos dois filhos como de Espanha e Portugal. «Há tempos que não brincas com esse carrinho e agora é que te lembras dele! Vá, deixa lá o teu amiguinho brincar um bocadinho e entretém-te tu com alguns dos brinquedos dele...»(2), diz uma das mães ao filho, ao mesmo tempo que pensa: «Vá, e não chateiem durante um bocado, pois estamos aqui tão bem a criticar a vizinha do rés do chão...».
Foi mais ou menos isto que acontecei com Olivença. O rei D. Dinis tinha-a ganho no Tratado de Alcanizes, no ano de 1297, com o qual se estabeleceram as fronteiras definitivas entre os dois países, mas vários séculos mais tarde Godoy voltou a apetecer-lhe brincar com ela..
- Olhe que tu és chatinho com essa questão de Olivença... - dizia-lhe a rainha quando estavam na cama, já que nem sequer ela percebia até onde pode chegar o orgulho de um homem que faz o que for preciso para satisfazer a sua sede de poder..
- Olivença é nossa e não a daremos aos portugueses porque a conquistámos! - Se já existisse o jogo do Risco na altura teria sido um ótimo presente de Natal para oferecer a Godoy.
No fim, dada a inércia, como costuma acontecer nestas e em muitas outras coisas, os espanhóis deixaram-se levar pelo entusiasmo godoyiana e em Espanha começaram a achar que se efetivamente tinha sido uma conquista (3), então os oliventinos tinham de começar a aprender espanhol.

MAS OS PORTUGUESES INSISTEM: OLIVENÇA È NOSSA!

Se houve uma altura em que Godoy gritou "Olivenza es nuestra», com o seu sotaque da Extremadura com "x", à espanhola, ainda hoje há quem o grite em português: «Olivença é nossa!». São os amigos de Olivença que todos os dias 1 de dezembro - dia da comemoração da restauração da independência de Portugal - continuam a manifestar-se na Praça dos Restauradores com o seu cartaz onde reclamam que o município volte a ser português (4). (CONT.)
De olivencalivre a 3 de Agosto de 2012 às 14:47
CONTINUAÇÃO (PARTE 4 de 5hgkctkn
Seria preciso fazer um daqueles inquéritos de que os jornais tanto gostam - se é que ainda não se fez nenhum (5) - para perguntar aos oliventinos o que eles preferem ser, espanhóis ou portugueses. Claro que depois de dois séculos a comerem tortilha de batata e a ver programas cor-de-rosa espanhóis a resposta deve ser óbvia: espanhol! (6) Se a isso ainda acrescentarmos que se ganha mais e se vive com mais conforto do que em muitas terras do outro lado da fronteira, nas quais se fecham escolas e maternidades (7)... então as vantagens aumentam e a balança inclina-se definitivamente para o lado espanhol.
«Mas é que Olivença é nossa!», insistem os poucos mas persistentes defensores que restam da identidade oliventina, com o mesmo cartaz igual todos os anos (8).. E têm razão, já que no ano de 1817 Espanha acabou por reconhecer a soberania portuguesa sobre aquele município, embora na prática nunca chegassem a fazer a devolução das chaves. Poderíamos dizer que os Espanhóis se tornaram uma espécie de okupas de Olivença, tal como os ingleses fizeram com Gibraltar. É mais ou menos como se agora se apresentassem todos os dias 12 de outubro - Dia da Hispanidade, semelhante ao 10 de Junho em Portugal - no Peñon de Gibraltar com o mesmo cartaz mas escrito em espanhol para reclamar o território aos britânicos. "What'ar yu sayin?"(SIC), poderia responder qualquer natural de Gibraltar que se preze de o ser com aquele inglês macarrónico com sotaque andaluz que resulta ainda mais engraçado. «God save the queen», mas não a espanhola, e sim a britânica, que aqui, tal como em Olivença, assim vive-se muito melhor.» E até os macacos do Rochedo assentem (9)
Mas claro, isso não faz com que por mais que os habitantes de Olivença se tenham acostumado a usar o "z" em vez do "ç", não tenha ficado atravessada na garganta uma espinha histórica; sim porque, além disso, vê-se que naquela parte do mapa a linha de fronteira desaparece (10), para voltar a aparecer alguns quilómetros a seguir, pois à
falta de execução do acordo entre os dois países a fronteira não pode ser delimitada. E tudo graças a Godoy, ou melhor dizendo, graças aos oliventinos que não sabiam que o valido de D. Carlos IV era um saloio disfarçado com roupas caras (11) que ainda por cima servia um rei ainda mais molengão. Sim, porque provavelmente teria bastado que o ameaçassem com o ramo de laranjas que ele levou consigo como sendo o mais valioso dos tesouros daquela patética guerra, para que voltasse a correr para Espanha e não voltasse a pisar a fronteira portuguesa. Mas os oliventinos não pensaram que fosse tão fácil acabar com o espanhol e por isso ficaram com alma de portugueses, embora na realidade lhes tenha calhado serem Espanhóis no bilhete de identidade (12).. Ao fim e ao cabo, os oliventinos, com cedilha ou com "zê", acabaram sendo como o presunto, ibéricos. E isso deixa sempre na boca um bom sabor (12).
FIM DO CAPÍTULO


____________
NOTAS:
(1) Há aqui um pequeno erro. Godoy só viu ser-lhe oferecido um "Reino dos Algarves" por Napoleão em 1807, e não em 1801, data da tomada de Olivença.
(2) A autora, que não é historiadora e pretende ironizar com as relações Portugal-Espanha, tem aqui uma imagem infeliz. Houve repressão e mortos em Olivença. Não foi uma brincadeira de crianças. Ou então, deveria dizer qual foi o brinquedo seu que a criança (espanhola) aceitou dar à criança (portuguesa) em troca de Olivença!!!
(3) Princípio indefensável em Direito Internacional, como a Espanha bem sabe ao reivindicar Gibraltar...!!!.
(4) Esta ideia errada de que são só os Amigos de Olivença que reclama a localidade, e só no 1.º de dezembro, é... irritante! Mais à frente, a própria autora vai demonstrar que o Estado português mantém a mesma posição!!!
(5) O Diário de Noticias fez um... com os resultados que a autora vai prever!
(6) Em cheio!! POR ESTA OBSERVAÇÃO, EM QUE SE REVELA MAIS ATINADA QUE CERCA DE UM MILHAR OU MAIS DE INTELECTUAIS PORTUGUESES, ESTA SENHORA MERECE SER DESCULPADA POR UN OU OUTRO ERRO! Afinal, ela está sempre a chamar a atenção para o facto de NÃO SER HISTORIADORA, e de apenas querer brincar com algumas coisas que sabe que são sérias!!!
(CONTINUA//FINAL)
De olivencalivre a 3 de Agosto de 2012 às 14:49
(CONTINUAÇÃO///FINAL (PARTE 5 - FIM )
(7) Não há comentários. ELA TEM RAZÃO!!!Mas... ela vai falar ainda (acertadamente) de Gibraltar!!!
(8) Mais uma vez, esquecimento das posições do Estado Português... e desconhecimento da existência da Associação CULTURAL oliventina "Além Guadiana"...
(9) Estas comparações, que mostram uma contradição, são, penso eu, positivas!
(10) Isto mostra que a autora acaba por reconhecer que É O ESTADO PORTUGUÊS QUE AINDA RECLAMA OLIVENÇA, pois esses mapas são os oficiais (Innst. Geogr., por exemplo). Logo, não pode ser apenas um pequeno grupo que se lembra de Olivença!!!
(11) A ideia de tornar Godoy um herói, defendida por autoridades atuais de Badajoz e Olivença, não deverá ir muito9 longe....
(12) É curioso, e um pouco triste, como esta autora, uma espanhola moderna e com algum sentido crítico, não se aperceba da violência, de tom colonialista descarado (revelado principalmente graças a um trabalho deste ano de 2012, de Carlos Consiglieri, "A Descaracterização de Olivença"), das mentiras e falsificações da História que foi necessário para se chegar a um oliventino "domesticado" e ibérico. Enfim, a autora não é historiadora... nem quis escrever um livro demasiado "doutoral". Quis fazer ironia. Por algumas observações inteligentes, merecará ser desculpada|||
(FIM!!FIM!!)
De olivencalivre a 4 de Agosto de 2012 às 14:24
(CONTINUAÇÃO//PARTE 2 //ESQUECIDA...OLVIDADA...NÃO SEI PORQUÊ!!!!!

Godoy ficou logo inchado de orgulho espanhol e, animado com aquela primeira vitória fácil, foi avançando com os seus homens, conquistando a seu passo outras terras alentejanas.
- Sou o melhor estratega da história de Espanha, esta guerra é canja - dizia aos seus colaboradores mais chegados, enquanto entrava em Portugal pela fronteira de Badajoz, com um ar tão triunfante quanto parvo.
Na verdade, aquela disputa entre os dois reinos vizinhos não se assemelhou tanto a uma guerra, mas sim a uma monótona discussão de um casal junto há mais de vinte anos. A mulher, neste caso a Espanha barroca de Godoy, recrimina o marido, neste caso o Portugal do parcimonioso príncipe regente D. João VI, que já não vai dar uma volta com ela porque prefere passar o domingo inteiro a ver futebol deitado no sofá. E o marido, que efetivamente está deitado no sofá a ver futebol, limita-se a assentir com a cabeça, sem sequer se dignar a olhar para a mulher. Qualquer coisa como aquela frase que diz. «Duas pessoas não discutem se uma não quiser». Com tanta indiferença, a mulher não tem outro remédio senão dar meia-volta e, a refilar, ir para a cozinha, passar a tarde a engomar. Foi mais ou menos o que acabou por fazer Manuel Godoy, qual esposa incompreendida e ignorada. Porque no caso daquela guerra, dois reinos não se enfrentam se um não quer. E Portugal preferiu ver o jogo de futebol do que sair e dar uma volta de braço dado com Godoy.
E assim foi o espanhol conquistando várias terras alentejanas. A que mais trabalho lhe deu, Campo Maior, tomou-lhe dezoito dias de disputa até cair nas suas redes, como a namorada pantomineira que acaba por ceder às insistências do namorado em não esperar pelo casamento.
Mais dura de roer, e essa é que não sucumbiu ao charme de Godoy, foi Elvas, onde 8 mil homens, comandados pelo general D. Francisco de Noronha, se aquartelaram no seu interior para impedir a entrada dos espanhóis. E tanto meteram na cabeça os portugueses que haviam de os expulsar que acabaram por conseguir. É pena que nenhum retratista tenha pintado a cara de tolo com que terá ficado Godoy quando não conseguiu assinar aquela rendição.
- E agora o que vou eu dizer à rainha? - perguntou ele, meio aturdido, a um dos seis homens de confiança.
- Manda-lhe uma flores, porque isso funciona sempre com as mulheres - respondeu-lhe o vassalo, dizendo a primeira coisa que lhe veio à cabeça. E Godoy, que não tinha muita imaginação nem desenvoltura, como não podia entrar em Elvas para ir procurar uma florista aberta, apanhou o primeiro ramo de laranjas que encontrou nos arredores da cidade alentejana e pediu a um mensageiro que o fizesse chegar rápido e veloz à sua Maria Luísa, que estava em Madrid. Se o fez como sinal do seu amor ou para disfarçar o fracasso militar, o que é certo é que aquele gesto não só deu nome àquela guerra, a guerra das Laranjas, como também foi a risota do reino espanhol durante anos. «Aquilo não foi uma guerra nem foi nada...», troçavam em Madrid, enquanto Godoy se tentava convencer sem grande sucesso de que era um herói nacional.

- Ó meu querido Godoy, tu sim és um homem com H grande, e não o parvo do meu marido. - Assim tentava animá-lo a rainha Maria Luísa quando o teve novamente nos seus braços. - Além disso, eu sou melhor amante do que o rei, não é verdade - acrescentou a rainha.
Godoy disfarçou e não lhe respondeu porque isso teria significado uma confirmação da parte dele da relação que alguns historiares dizem ter mantido com o monarca espanhol. E também não é muito nítido nos documentos que Godoy fosse amante da rainha. Das duas uma, ou os prudentes cronistas não quiseram ser explícitos de mais sobre aquela relação - e muito menos com a que Godoy possa ter mantido com o rei - ou então elas não passaram de puras invenções dos seus inimigos para tentar provar como um homem tão pouco capaz para a governação tinha ganho a confiança dos reis. Mas não há fumo sem fogo... cada qual que pense o que quiser.
(CONTINUA)

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