Terça-feira, 11 de Setembro de 2012

"Quando já não estivermos" será apresentado na sexta-feira 14.IX.2012

Apresentação, no museu de Olivença, às 20.00 espanholas do 14.IX.2012:

Não percam!
Sentimo-nos: ausentes e presentes
Música: etnográfica
Publicado por AG às 09:28
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Comentário(s):
De olivencalivre a 13 de Setembro de 2012 às 12:29
O LINHAS DE ELVAS REPETIU A RECOMENDAÇÃO (13-Setembro-2012)

LINHAS DE ELVAS, 13-Setembro-2012//AGENDA CULTURAL//Página 27
"Cuando ya no estemos"
No próximo dia 14 de Setembro. às vinte horas espanholas, no Museu Etnográfico "González Santana", de Olivença, vai ser lançado o novo livro do autor José António González Carrillo (Olivença, 1975) intitulado "Cuando ya no Estemos".
A obra narra o acontecer das obras de arte, das tradições, dos factos e dos valores arquitectónicos mais íntimos e desconhecidos da cidade de Olivença e do seu contexto histórico através dos séculos.
De olivencalivre a 16 de Setembro de 2012 às 18:50
EM PORTUGUÊS: DISCURSO DE APRESENTAÇÃO DO LIVRO(PARTE 1 de 5)
TRADUÇÃO: DISCURSO
José António González Carrillo
Apresentação do livro "Quando já não estivermos"
14 de Setembro de 2012

Excelentíssimas autoridades, familiares, amigos, amigas. Oliventinos e oliventinas, SEMPRE!
Obrigado por estarem aqui comigo neste dia tão importante para mim.
Antes de mais nada, agradecer ao Museu Etnográfico "González Santana" por me dar a oportunidade de poder apresentar hoje este trabalho nas suas incomparáveis salas.
Quando já não estivermos [quando morrermos], esta é a pergunta inexorável que dentro de todos nós surge uma vez. Quase sempre com carácter existencial, amadurecendo dentro dos pensamentos, sem ser compartilhada com nada nem com ninguém, às vezes nem sequer na nossa intimidade esquiva.
Olivença contém segredos que só tempo se encarrega de assinalar nas horas, parecendo que tudo está descoberto, mas, afinal, falta sempre alguma coisa; sentindo-se que algo desaparece, que algo se (nos) escapa.
Quando procurei a essência das tuas intimidades, acreditei ter alcançado nos amanheceres a voz que dia após dia me sobressalta, a que se me revela como o privilegiado contador dos teus segredos.
Mas... continuo ainda à espera, em cada uma das tuas esquinas [recantos], encontrando a alegria do reencontro com a minha própria identidade, com o mais profundo do meu ser.
O [Um] dia não é suficiente para que possa descrever a mais elementar das tuas pedras, dos teus crepúsculos. Aqueles que pareciam nunca voltar, que estavam esquecidos, fazendo discretos sinais por entre a áspera secura de um Varão que se nos escapou por entre os dedos [palmas] das mãos.
"Espera!", dizia então para mim mesmo, e dava uma ligeira trégua às minhas paixões.
De repente, outra vez, de novo, este narrador de histórias visuais que sou eu voltava a encontrar na solidão do papel e do ar livre os frescos ventos nos olivais e caminhos, que sempre desembocam no mais fundo de ti mesmo, com esse perfil sempre tímido das tuas duas remotas paróquias e a tua serra assinalada com torre de vigia [atalaia].
(CONTINUA)
De olivencalivre a 16 de Setembro de 2012 às 18:57
(Parte 2 de 5)
E agora, com rapidez tuso de passou, hoje contemplei-te outra vez das estreitas seteiras do teu alcácer [recinto fortificado, castelo], com os mesmos olhos de assombro e desassossego que senti ao compreender que Olivença não é um lugar qualquer, vulgar, um qualquer pretexto... ainda que alguns queiram ridicularizar os teus apelidos sem nem sequer saberem como te chamas.
Não sei o que esperas hoje de mim, mas sei com segurança que o "espaço-tempo" da tua roupagem contém o sentido dos teus acontecimentos, o aroma das tuas talhas [madeiras trabalhadas], o sabor intenso da tua alma que já quase ninguém frequenta.
Diz o poeta que o amor volta a surgir e chega a partir do nada, e o destino julgará se a minha devoção pelas tuas desventuras e os teus estuques artísticos foi puro, sem condições. O tempo acabará por o dizer, , os meus cabelos brancos o dirão também...
Ponho a nu a confissão das minhas noites, escapando como uma andorinha nas tuas grandes janelas de igrejas desbotadas. Com um manancial de inquietações que pela enésima vez se tudo o que surge, é visto, tem inteireza [autenticidade], se é casual ou se (me) foi imposto.
Quando se apaguem todas as "centelhas" [discussões dos] que te reivindicam, contaria a história dos teus arredores para verificar que o rumo dos teus dias seja sempre o contrário [oposto] do teu destino imposto.
E, Assim, compartilharei de novo contigo algo insólito, simplesmente puro e pode ser que atrevidamente inédito.
Foi na ocasião de uma Sexta-Feira Santa, a primeira nas tuas entranhas depois da minha adolescência, que este livro surgiu; como se de uma projeção de diapositivos de tratasse, pus nome às tuas páginas e percebi que os teus momentos eram mais importantes do que as tuas palavras.
Este livro gheio de esperanças de menino, procura nos seus capítulos respostas que foram esquecidas, histórias que só o próprio argumento justifica em recordações indeléveis, e que agora esmiúço com intenção vacilante e !"malograda".
Um legado serve de pretexto à explicação de cada um dos teus afazeres; tintas oxidadas que um dia serviram para marcar e imortalizar o teu caminho.
Em onze "actos"[capítulos], pretendo "decifrar" inutilmente toda a cumplicidade da tua linguagem, e como um bom oliventino dizia, procuro timidamente forjar a arte de tirar as tuas "graças" [dons, beleza] às tuas calçadas.
Os céus destas histórias estão salpicados pelo sabor, pelo odor e pela tinta dos teus manuscritos, aqueles que repousam em arquivos esperando que uma motivação, uma razão, quase sempre indescritível, os resgate e os torne de novo vigentes.
Rubricas [assinaturas], efemérides descontextualizadas, lanternas [candeeiros], motivos da tua história, azulejos ou lamentos que um dia serviram para dar-te o teu próprio protagonismo, esse que nunca quiseste perder totalmente.
Todas as páginas que compõem "Quando já não estivermos" contêm uma base real, uma obra feita dos teus silêncios colocada em lugares que talvez nunca compartilharam.
Paisagens e ruelas tortas que trazem em si a denúncia de que, tal como um dia estas obras de arte foram "retiradas", hoje reivindicam a sua atualidade, a sua importância premente.
Acontecimentos mas fronteiras que Aires Varela descreveu em "pinceladas" que hoje servem de desculpa ao meu prefácio, e como declaração dos meus próprios princípios.
Confrarias (Irmandades) estintas, como a das Almas de São Domingos, onde as suas almas se revelam como os confrades ("irmãos") desbotados que hoje "agrupam" (juntam) o lento passar do tempo das tuas aldeias... de certa maneira ainda virgens, ainda inexploradas.
Um mar de estolas [ornamentos sagrados] encontrados em aposentos (casas) que um dia serviram para festejar a noite de São João ou de Santo António. Quem sabe quantas cerimónias ficaram ancoradas (ocultas, invisíveis) nos teus inóspitos recantos!!
Casas isoladas e quintas ainda "senhoriais" e inacessíveis para o viandante, e que a luz das velas recupera nestas melancólicas páginas.
(CONTINUA)
De olivencalivre a 16 de Setembro de 2012 às 18:59
(Parte 3 de 5)
Ermidas "destronadas (que perderam importância) por uma evolução incompreendida, onde párocos de antanho inventariaram os pormenores do teu vestuário. Tristemente demolidas, mas ainda com traços nos anexos das paredes principais de uma Olivença que já não emerge, só flui e se dissipa.
Foram as tuas figuras as que, em estâncias secas de palha e ouro, expressaram como era o dia a dia dos recantos mais íntimos da tua alma, substituindo a cera de oferendas, pela paixão dos teus arredores, dia a dis reinventadas com carinho.
E ´desta forma que a tua entropia (maneira de ser que te é própria) forja o que fica das tuas misérias, das tuas grandezas.
Personagens de renome proscritos, às vezes inclusivamente "vetados" (proibidos) ou esquecidos pelos teus. Andrade, da Silva, Ventura... Dívida impossível de pagar, desde quando em crianças brincaram nas tuas ruas de barro e lamaçal!!
De alguma formas, estes continuam a macerar (influenciar) as tuas grandezas e hoje - pelo menos para este que vos fala - continuam a ser parte do quotidiano, do imprescindível ao falar de ti, Olivença. Com esse respeito advindo de nostalgia que os oliventinos demonstram quando te descrevem.
Os desejos destes, as suas viagens, as suas ilusões, materialmente incompreendidas, procuraram a tua fortuna para fazer de ti o lugar único em que te converteste.
Como compreender-te hoje sem meditar sobre textos de crivo indiscreto. Eles sim que modelaram o anor que hoje por ti professo.
Em distâncias só superadas por achados quase inacreditáveis, em orações e patrocínios que, esses sim, expressaram a solidariedade de um povo e das suas gentes.
Guerras e contendas que não provocaste, mas nas quais foste parte ativa e vítima ao mesmo tempo.
Muralhas obscuras pela tua noite profunda, cheia de lendas e anedotas que hoje já ninguém conta ou lembra nas suas tertúlias.
Candeeiros que iluminaram essa noite de atos de valentias onde a tua audácia te fez insuperável, universal.
Tudo isto, hoje, repousa em arquivos e registos, sem poder dar o lugar que merecem os teus heróis, que nem sequer dão o nome às tuas ruas.
Olivença restaurada, ou, melhor dizendo , subtilmente recuperada para que ninguém esqueça que nos projéteis que um dia cruzaram os teus céus, está a sabedoria e parte do futuro do que em ti há para desfrutar.
Também as lendas mais espantosas fizeram literatura dos teus mitos, e, com uma curta alusão a um terramoto, os teus campos encheram-se de pedriscos (granizos invulgares), insetos, e tempestades bizarras.
Histórias que ninguém recorda e que hoje dormem debaixo de tintas em folhas dobradas, em relatos e histórias impossíveis de encontrar nas tuas livrarias. (CONTINUA)
De olivencalivre a 16 de Setembro de 2012 às 19:01
(Parte 4 de 5)
Edifícios que contêm as tuas raízes, agora como antes em mãos privadas, e que continuam de vigília em noites de estrelas e de calor sufocante.
Ossários que compartilharam crónicas de enterros, formas de dizer adeus na tua Porta do Calvário e a forma de sentir de toda uma comunidade dia após dia.
Oragos que nas tuas fronteiras escondidas ainda se mencionam e são recordação, em preces, em crenças, nas tuas festas.
"O mesmo dá, que dá o mesmo"[tradução literal], continua a ser a intensidade das vozes que soam nos teus postigos de vento que faz esquecer.
Tudo isto é parte de ti; nua te mostras hoje, Olivença, presumida (vaidosa) e timidamente sincera.
Neste livro revelo-te com uma "valente" vocação (uma forte "chamada", apelo), de forma modestamente inédita: filtrada com pequenas grades e escritos de contas encerradas, com datas às quais ninguém já põe data.
Procurando expor os teus encantos em campos plantados de árvores de cor de anil de azulejo, que hoje são a imagem dos teus conventos, da tua Misericórdia, das tuas igrejas.
Filhos que hoje te Vêem, entre o rumor do mar que um dia conquistaste e um futuro inexistente com o qual alguns nos entretemos.
Quem diria, Olivença, terra, fábula e desejo, envoltos no ateneu das tuas sequelas. Aqueles que estiveram à mesma mesa na Casa do Alentejo ou em diálogos que que se derretem como a cera ou o verniz que caracterizam os teus retábulos.
Continuas a procurar a luz das tuas noites, o som dos teus sinos que só vagamente recordam o que já foram; das insurreições tão nobres como o teu amor próprio, em certa medida fruto de preconceito e artificial.
Este que vos fala. só pode viver para contemplar, e como qualquer oliventino que busca no meio do teu labirinto o porquê dos seus dias, conformar-se por ter a sorte de ter observado tanta imensidade..
Um feixe de luz extremamente complexo, ainda que os teus não pretendam procurar os teus aromas do campo, de incenso, de guerras.
Quantos de observaram desde a SAUDADE do reencontro? Fica-me o consolo de saber que tu, sim, os levas contigo.
Este é o melhor legado que podemos dar aos que à nossa frente irão passar, esses terão o tremendo desafio de preservar esta "marca" diferente e talvez considerar-nos culpados, criticarem-nos, por não o termos consegyuido nós próprios.
(CONTINUA)
De olivencalivre a 16 de Setembro de 2012 às 19:02
(Parte 5 de 5//FIM))
Como testemunhos mudos que escaparam ao crivo do tempo, as obras e os deptalhes apresentados nas páginas deste ensaio fotográfico procuram no onírico (mundo dos sonhos) o "saber estar" dos nossos antepassados. Essa herança que recebemos de forma generosa no nosso destino marcado.
Precisamos da ambição cultural e intelectual para nos continuarmos a sentir especiais, "exclusivos". Não chegan nem são válidos os pretextos de falsas paixões que não articulem um legado em vias de extinção.
Mas, agora, descansa, Olivença, que nos teus vai-vens, nos teus movimentos rotineiros, estão a tua verdade, os teus segredos, a tua indiferença.
Enquanto o tempo passar e ele próprio não morrer, os teus "sucessores" (herdeiros) dançarão lentamente contigo, como se fosse de novo a tua "primeira vez".
Em alguns dos teus pórticos encontrarei a minha verdade, enquanto as pinceladas dos teus interiores me mostrarão o que me falta admirar (conhecer).
Quando já não estivermos, o que será de ti e dos teus oceanos?
Que inveja, Olivença, saber que os que terão de vir terão oportunidade de levar nos bolsos parte da "frescura" que eu experimentei!
Voltar a percorrer-te e repetir a obra do teu arbítrio sempre inacabado, perfeitamente imperfeito.
Essa és tu, com os teus "achaques" e devaneios de mediocridade sincera.
Estas páginas têm em si a inocência dos meus grandes encontros com os teus pensamentos, o "alfa" e também o "ómega" de uma vida sem retorno, copiosamente nova.
Será esta a forma de dizer-te em silêncio a porquê de te levar dentro de mim. O porque de te amar tanto.
Disse.
Muito obrigado a todos.

José António González Carrillo
Apresentação do livro "Quando já não estivermos"
14 de Setembro de 2012
(FIM)

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