Quinta-feira, 21 de Novembro de 2013

Apresentação de "Matriz", de González Carrillo (29.XI.2013)

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Publicado por AG às 18:52
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De olivencalivre a 30 de Novembro de 2013 às 23:24
OLIVENÇA, 29 de Novembro de 2013/// 19:30////Sala de Conferências do Centro Integral de Desenvolvimento, Calle Rusia, n.º2 (em frente à "Picuriña"), Livro "MATRIZ", de José António Gonzalez Carrillo (COMPLETAMENTE BILINGUE)



(PALAVRAS DO AUTOR)(TRADUÇÃO LIVRE)

Excelentíssimas autoridades, Presidente e membros da Associação De Desenvolvimento da Comarca de Olivença, familiares, oliventinos, oliventinas, todos os amigos



Devo começar por agradecer de uma forma muito pessoal e com sincero entusiasmo a João Paulo de Oliveira e Costa as suas palavras na apresentação (impressa) deste livro, e, ao artista e amigo Augusto Andrade, hoje sentado a meu lado, porque, graças à sua inestimável colaboração, a obra hoje apresentada encontrou a melhor forma de ser complementada/completada.

Também quero expressar os meus agradecimentos a Manuel de Jesus Sanchez Fernandez e a Sílvia Nóbrega, porque, com a sua ajuda, os textos trazidos à luz neste livro encontraram uma simetria (tradução) perfeita na língua de Camões. Agradeço também à ADERCO[Associação de Desenvolvimento da Comarca de Olivença], pelo seu apoio sem condições, dado à cultura em Olivença e na sua Comarca, para que ela possa continuar a contar com mecenas que, nos tempos que correm, são vitais para que continuemos a difundir a nossa história e a nossa identidade. Os meus agradecimentos também à Paróquia de Olivença, por me ter aberto as suas partas, a tempo de mostrar alguns pormenores de Santa Maria do Castelo, e, por fim, mas não por isso menos importante, os meus agradecimentos a todos e a cada um dos oliventinos, amigos, e instituições públicas e privadas que, desinteressadamente, contribuíram com o seu grãozinho de areia para completar as páginas deste sonho pessoal transposto para o papel.

Hoje, em que faltam poucos dias para que a solidão da praça de Santa Maria seja, se possível, ainda mais solidão, devido ao crepúsculo invernal que se aproxima, vou contar-vos o que quase todos vós já sabeis.

Falo do ar que haveis respirado durante a vossa infância, do domingo vespertino da missa das doze, ou de uma tarde de silêncio contido, quebrado unicamente pelo ruído de uma bola chutada por crianças a embater contra os muros da imponente Torre de Menagem oliventina.

Acompanhando este tão singular edifício, encontra-se outro não menos importante, que com as suas diferentes denominações reafirma sempre a sua condição de decana de Olivença; aquele edifício que dá pelo nome de (Igreja) de Santa Maria do Castelo ou da Assunção, esta última denominação esquecida por muitos dos jovens que hoje percorrem as nossas ruas. Mas nós, que também fomos jovens, esquecemos que os nossos antepassados lhe davam, de uma forma muito mais simples, o nome que se chama a uma mãe, a primeira visão que temos ao iniciar a vida: "Matriz".

Esta Igreja, que é muito mais que um simples edifício, integrada no seu contexto indissolúvel, não somente nos fala do aspeto material, mas também nos diz, de forma explícita, como é e foi a espiritualidade de um tempo que teve duas etapas, que têm o seu epicentro numas remotas eras em "terra de ninguém", descobrindo-se a plenitude das suas partes escondidas ao dissecarem-se os manuscritos e os relatos que lhe dizem respeito, em alguns casos preservados graças à tradição oral.

Oliventinos que, tal como este que vos fala, encontraram com lágrimas de recém.nascidos na sua pia batismal a água de um Jordão com nome de pedra adelgaçada.

Como posso eu percorrer-te, Matriz!!! Singrando pela perpétua solidão dos teus contrafortes ou pelo impreciso e vazio eco do teu coro? Pela tua dimensão ascética e repousada ou pelo teu admirável e pouco valorizado equilíbrio? Ou, talvez, por tudo o que agora calas?

Conhecer-te a ti, Matriz, foi como experimentar um enamoramento pueril, destilado na esperança dos teus encontros, aqueles mesmos que os canteiros reiteraram no abecedário de um quebra-cabeças hoje incompleto.

Já te disse, Santa Maria, que és mulher, que não mostras presunção, valente, que esconde (cala), que mostra a sua intimidade em portas de ferro quase sempre fechadas.(CONTINUA)
De olivencalivre a 30 de Novembro de 2013 às 23:26
CONTINUAÇÃO (Parte 2)
Tens a convicção de que o tempo que decorre sobre a tua beleza joga sempre a teu favor, encontrando nos teus silêncios, seduzindo igualmente nas tuas palavras; e, nas tuas noites, convertes-te sempre em coruja, que antecede a enevoada e fria madrugada.

Santa Maria assinala as onze horas da noite da infância, esperando que o ruído estrondoso dos tambores de uma Terça-Feira santa nos recorde que avança a Semana Santa. É uma dúvida do caminho a percorrer pela procissão, esquerda ou direita, nada o muda.

Árvore de ramos enganados, vinho de uva madrugadora, que se aprofunda na alma. Os teus perfumes estão impregnados de incenso que se dissemina sob o corredor dos teus fatigantes bancos, assinalando o teu momento sob janelas vespertinas, que só são conhecidos pelos sineiros dos teus sinos. O teu corpo está tatuado com flores azuis, com rosto de cal, perturbadoramente simples e branca.

Mas este amor não reconhecido, que é algo mais do que uma vontade, não fica totalmente expresso numa descrição romântica. Esta igreja não vive só entre as suas apelas e colunas cilíndricas, também tem os seus reflexos em Évora ou Estremoz, entre muitos outros lugares. Esta cruz de pedra vigia zelosamente à distância documentos que mostram os seus segredos, em arquivos e resoluções (despachos) de Lisboa, de Elvas ou de Portalegre, para só citar alguns exemplos.

Matriz! Eu gostaria de ser pregão de sesta junto à tua praça, testemunha da queda de penas nas tuas gárgulas, guardião das tuas traseiras, sacristão da tua memória, ou, por que não, a bola com a qual jogavas.

Ramo de junco no mês de junho, no solo do teu adro, cravei o lírio para te invocar, olhando para tudo o que tu olhavas, quando o céu nublado acompanhou a som repetido dos teus sinos.

Como posso eu percorrer-te, Matriz!, pelo teu bairro, pelas tuas fontes, pela tua sombra, ou talvez, pelo brilho da tua madrugada.

Dir-te-ia tantas coisas, que seria necessário vender os meus anos a peso para redescobrir algumas das tuas recordações, aquela(s) vergonha(s)/segredo(s) que me mostraste quando pela primeira vez me disseste "Entra!, a minha porta está aberta", enquanto molhava os dedos na água benta da tua fachada. Logo, ficaram as tuas trevas, aquelas que contêm escadarias que já quase ninguém contempla.

Mantos (cogulas, capuzes) negros de folas lentas, que morrem na noite que antecede a tua Paixão, agitando-se na tua cintura enquanto ganha contornos o dia das entranhas da tua memória.

Foi então, quando te olhava de través, e conversando com a tua madrasta, que encontrei o teu primeiro beijo, com a imprudência de te ter visto passar centenas de vezes, mas sem nunca te ver de forma clara com os olhos. E, agora, o sopro da tua graça faz-me dizer-te pausadamente que sou parte das tuas entranhas.

Santa Maria do Castelo, pedaço de vela crespada, apoteose na tarde de ofícios religiosos, ressaca de preces, como as palavras nas mãos do teu olhar sempre revelando nostalgia.

Mal posso imaginar um desconhecido Andrés de Arenas, que, sob a perpétua designação de forasteiro, forjaria nas tuas pedras gravadas o desenho que as tuas janelas cheias de história contemplam, sob muitas formas de oração, dificilmente explicadas.

A tua vida, e também a vida de todos nós, continua a decorrer lentamente, tal como a pulsação das tuas coisas, que por direito imposto também se converteram nas minhas.

O aroma das tuas horas fala dos ritos perdidos, das irmandades (confrarias) que se foram e de portas entaipadas que se tornaram na desculpa, na razão do atual espaço livre que te rodeia.

A minha admiração diante da tua presença tem exatamente os mesmos ramos do que a tua conhecidíssima árvore [de Jessé], e reage como o pó e o fumo dos teus candelabros, que impediram que se descobrisse um universo de querubins e rosas, ocultos no decorrer dos tempos.

Sou um homem feliz porque te amo, porque tive a sorte de contemplar as tuas misérias e as tuas grandezas, e porque me pude alegrar no teu altar maior, cheio de velas acesas, nas tardes do passado.

(CONTINUA)
De olivencalivre a 30 de Novembro de 2013 às 23:27
CONTINUAÇÃO (Parte 3)
Continuo a gostar de te ir ver em tudo o que é teu, sem te afastar da vida que partilhas com o teu povo, que como o cinzento do teu calvário não se separa do murmúrio silencioso das pombas, eternas sentinelas do teu olhar.

Muitos dos teus segredos enterraram-se lentamente na tua coberta ou nas tuas efemérides, delicadamente gravadas como renda nos teus pilares, e como se num pequeno livro, contam histórias relacionadas com guerras ou com azulejos fragmentados num quebra-cabeças hoje em dia irrecuperável.

Ao perguntar por ti, continuo, Matriz, com a dúvida de como te hei-de percorrer/descrever: com a indiferença dos que se cumprimentam nas ruas, ou pronunciando o teu nome, sabendo que tenho parte das minhas recordações guardadas nas tuas esquinas?

Talvez com o cinzento infinito que se nos depara na tua planta, ou com o sigilo das tuas sepulturas, muitas delas desgastadas com o andar, com o pisotear, que foi sendo forjado por cada reza anónima.

Responde-me tu primeiro, Matriz. Como deve falar de ti um oliventino? Tu sabes que são muitos os séculos durante os quais convivestes com cemitérios e ferros amontoados, que serviram de esteio improvisado, esquecendo que o saber debaixo de aulas de canto em línguas cultas, sob união de enumerações que continuam a dormir nas tuas sacristias, aquelas que no seu tempo tiveram leitos para dormir, enquanto a chuva te desgastava enegrecendo-te e com abundante limo.

Que será de ti, Matriz? Quando as contas dos teus livros duplicarem de novo os teus anos, e o passado muitas vezes ignorante se dê conta das tuas respostas. Conservarás a humildade que te fez imensa? Divulgarás a sabedoria dos teus segredos?... Continaurás a contar comigo, Matriz?

Voltarás talvez um dia a fazer soar o teu primitivo órgão, hoje escondido sob cortinas confecionadas de propósito para tal, redescobrindo que nos acordes das tuas teclas e metais ainda se guardam partituras como se fossem fósseis petrificados.

Quantos e quantos oliventinos conviveram nas tuas "salas de espera", aquelas que hoje continuam vetadas a olhares exteriores... Pessoas que reforçaram os teus arcos, que derrubaram a tua praça, que peça por peça montaram alteres hoje fragmentados e que então serviram para dar novos rumos a esperanças...

Igualmente, noutros casos afortunados, graças a uma geração de jovens hoje já com alguns cabelos brancos, restaurara-se imagens e talhas salvas da negligência, acomodadas nos assentos traseiros de um automóvel, como se de passageiros se tratassem. Foram corajosos então os que nada venderam com a desculpa/tentação de serem premiados com "cheques em branco" do património que hoje admiramos. Alguns destes intrépidos oliventinos contemplam-te hoje lá no alto, entre as nuvens do céu.

Matriz! Como ficariam orgulhosos os teus antepassados por comprovarem que hoje te voltaram a encontrar milhares de pupilas. Novos dias de amor, num tempo marcado pelos escombros e pela ruína, coisas da vida...

Eu gostaria de ser cal de luz na tua fachada, onde a tua vida parece contar os anos que não passam, e sentir a solidão de algumas das ermidas que apesar de tudo ainda te acompanham.

Quando daria por te ver então, noutros tempos, Santa Maria (e Olivença), sob uma simples muralha, um castelo inventado e dois sinos singelos.

Como seria então, nesse passado, o trigo da chuva na tua primavera, e as irmandades (confrarias) temerosas a Deus, que acompanharam a tua beleza e que fecharam bruscamente as tuas portas quando, sendo adolescente, te quiseram transformar em mulher adulta, inteira.

Pergunto-me sobre o que se mantém guardado nos teus azulejos de milho miúdo, nas tuas flores admiráveis, nos teus sacrários, hoje vazios de opulência por detrás de fechadura(s) esquecida(s).

Para os teus olhos os dias amanhecem com perfil de céu em contra luz; para o teu eterno silêncio, o frio de duas ruas que se cruzam; para a tua semana, o decorrer tornado adjetivo na sua lentidão; para a tua sombra, a luz improvisada; para as tuas manchas, gretas nas tuas portas revisitadas.

(CONTINUA)
De olivencalivre a 30 de Novembro de 2013 às 23:30
CONTINUAÇÃO (PARTE 4//CONCLUSÃO)
Para os teus olhos os dias amanhecem com perfil de céu em contra luz; para o teu eterno silêncio, o frio de duas ruas que se cruzam; para a tua semana, o decorrer tornado adjetivo na sua lentidão; para a tua sombra, a luz improvisada; para as tuas manchas, gretas nas tuas portas revisitadas.

Santa Maria do Castelo ou da Assunção... Ora, Ora! É indiferente o nome que use, já que continuas a se sempre a mesma, a que reis visitaram, gente famosa de pouca monta ou aqueles que fizeram rodar noventa graus os teus bancos para rezar a ti, para te admirar durante a monotonia do sermão ou com a improvisação de luzes que então se esgotavam.

Matriz, com este livro que te dedico, também se vai parte da minha vida e parte do que o teu ponteiro deixou entre mi e outros oliventinos.

Impactos que narram nas tuas pedras pretensos tiros de perdão, que impulsionaram o teu afã de proteger os nossos antepassados ante a incerteza do ataque, confirmando que, desde os teus princípios, sempre prestaste auxílio a Olivença e estiveste ao seu serviço.

O teu taciturno amor sem dúvida me embriagou, soube dizer-me que eras autêntica, que muitos outros te amaram mais do que eu, mas que, mesmo assim, deste-me a oportunidade de mergulhar nas tuas cabalas, no papel rasgado que te vigia à distância.

Matriz, soubeste esperar como quem espera com calam, com a infinita paciência da teia de aranha. Hoje recebes parte da tua recompensa, porque, na distância dos teus tempos, ainda continuam a soar as tuas palavras. Verbos que falam de identidade, de formosura, de imaginação, de chuva, do esforço do humilde.

Que distante de todos e que perto estás ao mesmo tempo, Matriz!

Se dúvida, demonstraste ser a melhor bde todas, com a tua espera cheia de saudade conquistada.

Amanhã será outro dia, Matriz! Outro dos labirintos que só se romperá no silêncio da tua porta, demonstrando que as coisas também se fazem lentamente, sem as pressas impostas pela "charlatanice" de deixar o relevo (a marca) nas coisas que não importam. [nota: trocadilho intraduzível na sua fonia: "dejar la impronta en las cosas que no importan"]

Voltarás então a encontrar-te connosco para continuares a seduzir-nos, a continuares decifrando o mapa oculto das tuas alvoradas, aquelas que o sopro do alento deixou no teu olhar.

Continua em silêncio, Matriz, que todos nós voltaremos a ver-te de novo amanhã.



Disse. Muito obrigado

José António González Carrillo

29 de Novembro de 2013 (Olivença)

(FIM)

De olivencalivre a 3 de Dezembro de 2013 às 23:22
EDIÇÃO EM PORTUGUÊS DO JORNAL RUSSO "PRAVDA" (3-Dezembro-2013)/LIVRO "MATRIZ"


NOVO LIVRO: "MATRIZ"

"Matriz", o novo livro de José Antonio González Carrillo (Olivença,1975), introduz-nos na história e peculiaridades da igreja de Santa Maria do Castelo, um dos templos religiosos mais representativos da marcada "biculturalidade" que caracteriza Olivença e o seu entorno.

O edifício, alçado na transição entre dois períodos, ultrapassa a dimensão arquitectónica erigida desde as suas próprias ruínas, para aglutinar, ao longo da sua existência, um importante reflexo social, cultural e religioso do entorno, convivendo com a localidade desde a sua fundação. Um percurso pelos seus traços arquitectónicos, o seu contexto histórico, as suas confrarias, a sua administração ou algumas das suas peculiaridades menos conhecidas, entre outros aspectos.

Um trabalho que durante mais de três anos levou ao autor a mergulhar nos arquivos históricos, instituições ou a compilar testemunhos pessoais que ultrapassaram em diversas ocasiões os entraves geracionais. O livro, como costuma ser hábito, compagina o desenho editorial - tão pessoal nas publicações do autor - com o seu cunho criativo.

O livro foi patrocinado pela Associação para o Desenvolvimento do Conselho de Olivença (ADERCO) e nele colaboram o artista Augusto Andrade e o escritor João Paulo Oliveira e Costa.

As obras de José Antonio González Carrillo, definidas pela crítica como "trabalho comprometido e com marcada personalidade criativa", têm tido uma importante aceitação nos âmbitos nacionais e internacionais.

Criador incansável, na actualidade está a desenvolver uma intensa actividade em diferentes projectos, procurando, com a sua particular visão, o motor da sua criação mais essencial e pessoal.
De olivencalivre a 2 de Janeiro de 2014 às 16:43
TRADUÇÃO EM PORTUGUÊS

PERIÓDICO "HOY", 02 de Janeiro de 2014 ,página 2


J. Alonso de la Torre

OLIVENÇA, TEMA MELINDROSO



MATRIZ, UM BELO LIVRO SOBRE A BICULTURALIDADE DE UMA IGREJA (NOTA: livro rigorosamente bilingue]

«UM PAÍS QUE NUNCA ACABA»

(fotografia de José António Gonzalez Carrillo, sentado no chão, com Olivença ao fundo)

BADAJOZ: Tem três paixões: a sua família, a sua terra, e fazer livros. Todas elas convergem num ponto: a biculturalidade de Olivença Confessa que a sua maior fantasia é a de que as suas filhas se sintam tão espanholas como portuguesas, e nos seus livros conta, desde o onírico, o histórico e o sentimental, a História de Olivença, tão alentejana como extremenha.

José António González Carrillo nasceu em Olivença há 38 anos. A sua família paterna é oriunda de duas aldeias dos arredores da Olivença portuguesa anterior a 1801: São Jorge de Olor e São Domingos. Os seus pais eram professores e o seu avô advogado na Câmara Municipal de Olivença. «A minha família castelhanizou-se, como todas as famílias de Olivença, a partir dos anos 40-50 do século XX » , reconhece. Até esta época, nas ruas de Olivença falava-se português e muitos oliventinos escreviam em Português, mas durante o franquismo toda esta herança se castelhaniza. O Português começou a ser tratado de maneira depreciativa, foi sendo esquecido. «Se queres ter um futuro académico, estuda Inglês ou Francês. Se queres ficar no campo, estuda Português, diziam-nos a nós, crianças», recorda José António.

As festas castelhanizaram-se e tentou-se desnaturar (descaraterizar) o folclore. «Aparecem "A Uva", "El Candil"[O Candeeiro]; são canções oliventinas e a sua composição era baseada nos fados batidos, em corridinhos, em músicas que vinham do folclore poirtuguês, mas foi mudado. Nos anos (19)40, com a "Sección Feminina"(franquista), inventam-se as letras», explica.

Com a Democracia, ha um renascimento do Português em Olivença, retomam-se as relações com Portugal, recupera-se o Património Arquitetónico e aposta-se na biculturalidade de Olivença como futuro e como identidade.

José António González Carrillo trabalha no "El Corte Inglés" de Badajoz, mas, quando acaba o seu horário laboral, dedica todos os seus esforços a investigar a História de Olivença e a "modelá-la" em vários livros, que são verdadeiras obras de arte, publicações muito cuidadas, onde a fotografia, o texto e os desenhos constituem um "todo" estético. José António produz os seus próprios livros e já publicou sete, todos dedicados a Olivença, as suas gentes, a sua História, e os seus monumentos. O último tem por título "MATRIZ" e está dedicado à Igreja de Santa Maria do Castelo, que foi a igreja matriz, ou seja, mãe, inicial, primeira, da Olivença portuguesa e tem oito séculos de História. Publicou-se em Novembro, graças à ADERCO: a Associação para o Desenvolvimento da Comarca de Olivença, e não está à venda, só pode ser oferecido.

«Houve um primeiro templo, que se encontrava em estado de ruína no século XVI. Com a União Ibérica e os reinados dos Filipes em toda a Península Ibérica, a Igreja volta a levantar-se. É o templo majestoso que hoje podemos admirar, testemunha silenciosa da evolução das culturas portuguesa e espanhola na localidade, compartilhando também os piores tempos de Olivença, os da Guerra da Restauração, quando a localidade foi totalmente arrasada pelas tropas espanholas», resume o autor.

Cada capítulo do livro está ilustrado pelo artista oliventino Augusto Andrade e finaliza com uma útil cronologia que faz realçar a sua importância tanto para a terra como para Portugal ao longo dos séculos.

José António González Carrillo pertence à Associação "Além Guadiana", que defende a herança portuguesa de Olivença, a sua biculturalidade. Acredita que os oliventinos se sentem portugueses e espanhóis e o seu maior desejo seria poder converter esse sentimento duplo em algo mais concreyo do que uma emoção.

«A Questão de Olivença é um tema melindroso em Portugal, o que ali quer dizer delicado. É o Gibraltar português porque Portugal não reconhece "de jure" que Olivença seja espanhola, mas nós vamos por outro caminho, queremos "somar", e não dividir». Assim resume José António González Carrillo o seu objetivo final.

(FIM)

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