Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

Aldêas mirandesas

Encrontrê o seguinte em http://www.e-cultura.pt/DestaquesDisplay.aspx?ID=2122

 

 

Destaque 


CRÓNICAS EM MIRANDÊS
 

CRÓNICAS EM MIRANDÊS

O mirandês é uma língua astur-leonesa, que pertence ao grupo das línguas românicas. Durante séculos foi uma língua de transmissão oral, tendo sido dada a conhecer à comunidade científica e estudada pela primeira vez por José Leite de Vasconcelos, no fim do séc. XIX. Estima-se entre 7 e 10 mil o número actual de falantes, incluindo os que habitam no Concelho de Miranda do Douro, em três aldeias do Concelho de Vimioso e os i/emigrantes. Foi oficialmente reconhecida pela lei nº 7/99, de 29 de Janeiro, aprovada por unanimidade pela Assembleia da República.

Com o objectivo de contribuir para manter viva esta língua, o Centro Nacional de Cultura decidiu destacar semanalmente neste portal as crónicas em mirandês publicadas no jornal Público pelo Dr. Amadeu Ferreira, presidente da Associaçon de Lhéngua Mirandesa.


LA GAMETA

Ua gameta ye l que, an pertués, le cháman lentilha. Datrás, sembrában-las muito ne l praino mirandés, mas agora yá pouco mais do que alguns grupos de caçadores fázen por eilhas, yá que tierra de gametas fui siempre adbogada a perdizes. Nun era quemido que als mirandeses le gustasse, a nun ser robidas, quando yá íban bien granadas, mas antes de quedáren pasmadas. Sabie bien çcascá-le la baina acontra ls beiços i sorbé-le ls granicos, ua técnica que daprendiemos lhougo de pequerrixos.

Hai uns trés anhos para acá, Duarte Martins, porsor de mirandés, faç salir todos ls anhos ua rebista cun aquel nome, assi mesmo, La Gameta – Rebista de ls alunos de lhéngua i cultura mirandesa. Ye screbida pul porsor i puls sous alunos, zde la scuola purmaira até al 12º anho, i todos ls anhos fázen ua buona sembradura. Cun esse nome, la rebista ye assi cumo l ajuntar de muitos granicos andrento ua baina que ganha la forma dua rebista.

Yá son mais de cien ls alunos que nestes trés anhos ténen alhá screbido i a cada anho ten benido a melhorar i a angordar. De cada beç que la leio ben-me aquel oulor a gametas robidas que, de you garotico, me dában na alma. Miro i remiro pa ls nomes daqueilhes pequeinhos scritores i sinto bien cumo por eilhi passa la bida de la lhéngua mirandesa. Muitos deilhes yá nun daprendírun l mirandés an casa, anque ls pais lo fálen antre eilhes, mas solo na scuola i son eilhes que muita beç çfénden la lhéngua de ls pais, yá que a estes toda la bida le metírun andrento aqueilha eideia de que la sue lhéngua nun era para ser falada i screbida por giente sabida. Mas ye tamien cun estes alunos i cun einiciatibas cumo La Gameta que l mirandés stá a sufrir ua amportante reboluçon, na sue passaige de lhéngua oural a lhéngua screbida, de lhéngua camposina a lhéngua ourbana i moderna.

Bonda ler alguns testos para ber cumo la giente moça quier ua lhéngua renobada, que nun pare ne l tiempo. Pregunta Ana Teresa Santiago, aluna de l 10º anho: «Se l mirandés fusse ua pessona, colaba na tiesta un daqueilhes papelicos amarielhos cun cola por trás, que an anglés le cháman “post-it”, que tenerie scrito “lhéngua de ls labradores, lhéngua de l passado”... mas porquei? Tenerá l mirandés campo na sociadade d’agora?». I, lhougo apuis, Ana Teresa dá la repuosta: «Nun podemos deixar que la nuossa lhéngua mirandesa cuntine a ser ua rapaza que bibe nua aldé, que bai todos ls dies a la huorta i nunca trabalhou cun cumputador nien nunca fui a l’anternete a saber de cousas ou que nunca manda mensaiges pul telemoble pa las sues amigas... ten que ser ua lhéngua cun passado, i yá lo ten, mas tamien feita no persente, para que un die eilha chegue al feturo». Eiqui stá l camino que la lhéngua mirandesa ten benido a tomar, i esse ye l camino cierto. Todas estas pingas, se nun fúren capazes de fazer un riu ancho i lhargo, al menos que fórmen un rigueiro que nunca pare de correr por muita que seia la sequidade.

Amadeu Ferreira
amadeujf@gmail.com

[ Entidade Promotora]
Centro Nacional de Cultura
[ Website]
Imprimir Enviar a um Amigo RSS Voltar Topo
Palavras-chave: ,
Publicado por AG às 12:23
Ligação da entrada | Comentem | Adicionem aos favoritos
|  O que é? | Partilhári
Comentário(s):
De olivencalivre a 14 de Agosto de 2008 às 15:52
(Porque tenho o mu Correio Electrónico com problemas, só posso fazer chegar ao "Além Guadiana" as notícias desta forma; Carlos Luna)

ALENTEJO POPULAR (semanário que chega a todo o Alentejo), 14 de Agosto de 2008 (Jornal de clara tendência "progressista")

NA VOLTA DO CORREIO
CURSO DE PORTUGUÊS DESEJADO EM OLIVENÇA
Pelo seu interesse, transcreve-se a entrevista concedida, por dois dirigentes da Associação Além Guadiana, no "Correio da Manhã de 5-08-2008, sob o título "Curso de Português desejado em Olivença":
«Duas dezenas de espanhóis criaram a Associação Além Guadiana para devolver a Olivença a
prática da língua portuguesa, perdida nos últimos 50 anos. A criação de ementas bilingue
nos restaurantes e a adopção do Português como língua curricular nas escolas são algumas
das propostas.
"Está a perder-se a cultura portuguesa em Olivença. Vamos propor a criação de prospectos
turísticos e ementas bilingue nos restaurantes", disse ao CM Joaquin Fuentes, secretário
da Associação. A Além Guadiana foi criada em Maio num concelho onde dois mil dos 12 mil
residentes ainda falam português e pretende fomentar actividades de interesse cultural,
como um festival transfronteiriço.
"Está a perder-se a cultura portuguesa em Olivença. Vamos propor a criação de prospectos
turísticos e ementas bilingue nos restaurantes", disse ao CM Joaquin Fuentes, secretário
da Associação. A Além Guadiana foi criada em Maio num concelho onde dois mil dos 12 mil
residentes ainda falam português e pretende fomentar actividades de interesse cultural,
como um festival transfronteiriço.
Numa cidade com cinco séculos de domínio português e dois de administração espanhola, a
Além Guadiana tem promovido encontros entre cidadãos dos dois países. "Fizemos um
almoço-convívio e um passeio de BTT onde demos a conhecer a região e muitos monumentos de
origem portuguesa", acrescenta. O trabalho passa também por sensibilizar a população e os
meios administrativos a preservar a "mestiçagem" da cidade.
Apesar de a língua de Camões estar presente nas escolas de Olivença, Raquel Sandes,
cantora e instrumentista do grupo de música folk Acetre, acha que se pode fazer muito
mais. "Temos uma escola pública a leccionar a língua portuguesa como obrigatória, mas
queremos que passe a fazer parte dos currículos das escolas. Não faz sentido que seja
considerada a segunda língua estrangeira", frisa.
Fundadores - A maioria dos membros da associação tem profissões ligadas à cultura. São professores,
músicos e técnicos de turismo.
Língua - No seio do grupo todos fazem um esforço para falar português nas reuniões, até mesmo os
que não dominam a língua. As actas são escritas nos dois idiomas.
Informação - A associação, constituída por muitos oliventinos, disponibiliza informações sobre o grupo
em www.alemguadiana.blogs.sapo.pt
Pedro Galego/Susana Chambel»
Este é o artigo publicado no "Correio da Manhã"
GRUPO DOS AMIGOS DE OLIVENÇA LISBOA
De Henrique Salles da Fonseca a 16 de Agosto de 2008 às 18:24
Portugal já tem várias línguas oficiais: português, mirandês e língua gestual.
Pergunta NÃO ofensiva: - o oliventino é uma língua própria ou é uma versão da portuguesa?

De AG a 16 de Agosto de 2008 às 19:52
O português oliventino é uma manêra de falar o português alentejano: é português alentejano oliventino . É um português próprio de Olivença e também podemos dizer que é uma versão local da língua portuguesa. Nã sê se respondi bem.
De Henrique Salles da Fonseca a 16 de Agosto de 2008 às 20:22
Respondeu lindamente.
Mas agora coloco nova questão: quando iniciarem o curso de português, como vão proceder (com que sotaque)?

De AG a 17 de Agosto de 2008 às 08:27
Ê nã posso responder poros professores. Ê estou longe e nã posso dar nenhuma dessas aulas. Só posso responder por mim. RESPOSTA PESSOAL PORTANTO. Eu daria português padrão e português alentejano oliventino. E o sotaque... o meu. Estou farto e cansado de ouvir e de ler que o único português "correcto" é o lisboetês, ou então o conimbricense-lisboetês. Peço repêto poros outros dialectos da língua portuguesa e assim o mesmo de qualquêri outra língua.
De Henrique Salles da Fonseca a 17 de Agosto de 2008 às 08:41
Pela minha parte, tem todo o respeito. Sou de Lisboa mas nada tenho contra os sotaques regionais do Minho ao Algarve passando pelas Ilhas. Português padrão é todo ele, incluindo os regionalismos e sotaques. Mas oponho-me a que nos queiram pôr a escrever à moda das favelas. Isso não farei de maneira nenhuma. Sempre que puder (e souber), usarei a via etimolõgica e não a fónica.
Continuemos...
De AG a 17 de Agosto de 2008 às 17:16
Em Portugal usa-se a ortografia do acordo de 1945, a que eu aprendi. Agora temos mas é que começar a escrever segundo o acordo de 1990. O presente e o futuro da língua portuguesa está em grande parte no Brasil. As favelas também falam português, igual que os bairros das latas. E sempre tem que haver um equilíbrio entre a fonologia e a etimologia, em qualquer língua. Lembre que o inglês, o francês, o espanhol, etc., têm ortografia unificada.
De Henrique Salles da Fonseca a 17 de Agosto de 2008 às 18:06
A escrita inglesa e a americana têm grandes diferenças e tanto os franceses como os castelhanos não têm qualquer acordo ortográfico com as antigas colónias.
Ao perdermos o padrão, qualquer dia estaremos tão longe que já não reconheceremos a nossa própria língua.
Ao contrário do que é politicamente correcto, eu creio que este Acordo de 1990 é o epitáfio da língua portuguesa. Tudo, para fazer o jeito aos interesses editoriais brasileiros.
Sim, isto é tudo uma questão comercial e nada tem a ver com o que andamos a discutir tais como a via etimológica (reudita) ou fónica (popular). Os Editores e Livreiros brasileiros estão fartos de rir...só os de cá é que não perceberam no logro em que cairam.
Mais: não interesse falar e escrever como os que falam e escrevem mal. A qualtidade não substitui a qualidade. Em democracia temos a obrigação de puxar as massas para cima; não temos o direito de nivelar por baixo.
De AG a 17 de Agosto de 2008 às 20:36
Não concordo. Se quiser, escrevo-lhe em latim, mais etimológico e "erudito". A erudição só serve para a vaidade, quer dizer, para nada. A sabedoria é que serve. A escrita nunca é fonética, mas uma mistura entre etimológica e fonológica. Em inglês a ortografia é universal, como em francês e em espanhol. Galegos reintegracionistas vão adoptar o acordo de 1990. Portugueses, brasileiros e todos os outros devem mas é escrever com a ortografia desse acordo, que é flexível. Os brasileiros também mudam algumas grafias. O povo nunca fala mal. Quem fala mal é o chamado "erudito", que usa formas inexistentes. Por exemplo, a "erudição" fez com que agora em Portugal quase todos dizem "lanche" e "lanchar" onde deviam dizer, como sempre, "merenda" e "merendar". Eu vou tentar aprender a escrever segundo o acordo de 1990 e espero que a maioria dos lusófonos faça o mesmo.
De tuggaboy a 7 de Dezembro de 2009 às 11:59
A partir do acordo ortográfico de 1945 (inclusivè) só se tem vindo a estropiar a nossa língua... Devia de escrever-se como antes desse acordo y mais - adicionava-se o trema para dizer quando o "u" é lido em "que", "qui", "gue" y "gui"; um exemplo óbvio de que a língua portuguesa está totalmente "estropiada" é "frequente"... Tiramos "fre" y fica "quente"... Numa o "u" lê-se y na outra não... A regra diz que nos quatro casos não se lê o "u". Há mais de cem anos que s'aboliu este diacrítico y agora utiliza-se só em nomes estrangeiros (-.-') enfim... são estes os "lingüístas" que temos em Portugal y que mudam a nossa língua para uma língua mais confusa y mais difícial d'aprender por parte dos estrangeiros.
Outra coisa que nada tem a ver y gostaria d'expressar... Costuma-se dizer qu'em "Lesboa" é que se fala "bãe"... E isso é-nos "imposto" nas escolas y os Lisboetas adoram gozar com o nosso sotaque... Dizem que não sabemos falar bem... Mas olhem para eles lerem "ás" em "és"... "Y é o sotaque perfâito, ¿hã?"... [Claro que há Lisboetas que respeitam y muitos deles descendem d'Alentejanos]
De tuggaboy a 7 de Dezembro de 2009 às 11:42
O português oliventino é o português que é fortemente influenciado pelo dialecto alentejano (não reconhecido como idioma) y um pouco pelo castellano (mas as palavras são pràcticamente portuguêsas)... Diz-se no alentejo que é "alentejano". Não pôde evoluír muito pois estava isolada y era só língua falada. Nos dias d'hoje só já é falada pelas pessoas com mais de cincoenta anos (existem exepções, òbviamente)
De Henrique Salles da Fonseca a 7 de Dezembro de 2009 às 17:22
Esta troca de impressões é muito interessante mas verdadeiramente importante é a retoma da língua portuguesa em Olivença. Pergunto: já há professor? E os alunos são adultos ou crianças?
No próximo dia 20 de Dezembro conclui-se o 20º curso de língua portuguesa para adultos em Goa com 83 alunos e em Janeiro inicia-se o 3º de conversação com um máximo de 30 alunos divididos em 2 grupos de 15.

Comentem entrada

.Hora solar de Olivença

.Procurem neste blógui

 

.Que horas são?

Hora oficial:

.Contadôri


contador de visitas

.Entradas recentes

. A fala (galegoportuguesa)...

. "O rei leão" em asturiano

. "Ruas e aldeias de Oliven...

. Ruas bilingues em Táliga?

. Nacionalidades também em ...

. Mirandês na escola (2017)

. Olivença e a Raia na TVE ...

. Limpeza da ermida de Noss...

. Língua quíchua, mais ensi...

. O asturiano em 2017

.Arquivos

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

.Palavras-chave

. todas as tags

.Ligações

.Dicionário galego-português

Pesquisa no e-Estraviz

.Novembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
24
25
26
27
28
29
30
blogs SAPO

.Participem

. Participem neste blógui

.Contadôri

.subscrever feeds