Sexta-feira, 13 de Março de 2009

A Jornada no "Diário do Alentejo"

Olivença promove língua portuguesa

 


No passado dia 28 de Fevereiro, realizou-se, em Olivença, um encontro em que a língua portuguesa, mais concretamente o português oliventino, foi tema. Também a cultura portuguesa de Olivença, em geral, o "barranquenho", de Barrancos, e o "mirandês", de Trás-os-Montes, foram, a propósito, objecto de atenção.

Texto A. Martins Quaresma

 

A organização coube à associação Além Guadiana, de Olivença, jovem colectividade cujo objectivo é promover, nesta cidade, a cultura e a língua portuguesas. Constituída por gente nova - como Joaquin Fuentes Becerra, presidente da direcção, Raquel Sandes Antúnez, que é também vocalista e instrumentista do reputado grupo folk Acetre, Olga Gómez, Rosa Maria Felipe Fuentes Becerra, Fernando Píriz Almeida, Manuel Jesús Sánchez Fernández, Eduardo Naharro Macías-Machado, Maria Rosa Álvarez Rebollo, José Antonio González Carrillo e Antonio Cayado Rodríguez - Além Guadiana representa uma verdadeira "lufada de ar fresco" na cultura oliventina. Não podemos deixar de ficar agradecidos, portugueses e espanhóis, a estes oliventinos, associados com o exclusivo intuito de defender e promover o património cultural da sua terra. Um património que é deles, oliventinos, mas também de todos nós.


Quando, ao fim da tarde, o encontro terminou, as pessoas presentes, que foram muitas, admiravam o alto gabarito das comunicações, apresentadas por diversos especialistas. E, num justificado ambiente de satisfação, questionava-se, aqui e ali, pertinentemente, a ausência de órgãos de comunicação e de responsáveis oficiais portugueses.


O encontro realizou-se no antigo convento de São João de Deus, na ambiência barroca da sua "Sala de Actos", e teve a presença de algumas individualidades políticas, a saber, Guillermo Fernández Vara, presidente da Junta da Extremadura, ele próprio oliventino, e Manuel Cayado Rodríguez, "alcalde" de Olivença. E porque eles o afirmaram, ficámos cientes de que o português oliventino será apoiado pelas autoridades locais e regionais. O único responsável político português presente foi António Tereno, presidente da Câmara de Barrancos.
 

Foi um regalo ouvir universitários como José Gargallo Gil, Juan Carrasco González, Eduardo Ruiz Viéylez, Manuela Barros Ferreira e Lígia Freire Borges. Mas não menos escutar Domingos Frades Gaspar, Manuel Jesus Sánchez Fernández, Servando Rodríguez Franco e António Tereno. E, claro, em particulares e emocionantes momentos, José António Meia Canada e Ricardo Farinha Botelheiro, entre outros, que se expressaram em bom português oliventino, pessoalmente ou através do documentário de Mila Gritos projectado no final da jornada.


Falou-se muito de língua portuguesa, como é natural, e da sua actual situação em Olivença. Reconheceu-se, em certa altura com lúcido pessimismo, as dificuldades de uma língua que praticamente já só é falada por gente mais velha. Mas viu-se também nos circunstantes grande vontade de inverter este estado de coisas.
 

Este encontro pode não ter sido exactamente o primeiro passo para a recuperação do português de Olivença, mas foi, certamente, um grande e, esperamos, decisivo passo.
Aqui fica uma chamada de atenção para o Governo português, através, designadamente, da Direcção Regional da Cultura, de Évora, e do Instituto Camões, pois, aqui, bem perto, em Olivença, a língua portuguesa e o património cultural oliventino precisam de todos. Urgentemente, sem desconfianças, nem quaisquer outras reservas.


13/03/2009 - 10h55

 

http://www.diariodoalentejo.pt/

 

Publicado por AG às 14:54
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