Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Ainda a Jornada... agora vista do Algarve

Jornal "COSTA A COSTA"

(Lagos, Algarve; também sudoeste alentejano),

15-Abril-2009,

 

Jornada de 28-Fevereiro-2009 em Olivença


A "NOSSA" OLIVENÇA; A OLIVENZA "DELES"

 

A. Martina Quaresma, historiador (duas gravuras; uma com Cláudio Torres falando com outras pessoas, com a legenda "Cláudio Torres, Alberto Matos e Joaquín Fuentes, Presidente da Associação de Além Guadiana"; outra, com a assistência, com a legenda "Aspecto da Assistência")


    Como 90%,ou mais, dos portugueses, sempre conheci "a" Olivença, cujo nome está em inúmeras ruas de vilas e cidades portuguesas. E como 90%, ou mais, dos portugueses, também eu nunca dediquei a Olivença muitas das minhas cogitações.


   

De repente, uma série de factos, mais ou menos simultâneos, fizeram-me "descobrir Olivença: uma rápida visita em busca de um oliventino do século XVII, que, no litoral alentejano, fez obra de engenharia militar; uma audição, no "Youtube", do grupo "folk" oliventino "Acetre"; o conhecimento, em Milfontes, de uma oliventina que falava português; e, mais recentemente, o aparecimento duma associação cultural, a Além Guadiana, que pretende promover a cultura portuguesa em Olivença.


    Rapidamente, lembremos que, anexada pela Espanha, em 1801, durante a rápida "Guerra das Laranjas", nome p+ouco guerreiro do primeiro episódio das sangrentas invasões francesas, Olivença tem-se mantido, desde então, como uma espinha atravessada na garganta lusa. Não é que o assunto tenha estado sempre na berra, mas a verdade é que, oficialmente, o Estado português não reconhece a soberania espanhola sobre Olivença e continua a existir um pequeno sector da opinião pública portuguesa que mantém viva a questão. Convenhamos, sem nos alargarmos, que Olivença tem todos os ingredientes para se manter no centro de uma disputa, desde as circunstâncias históricas que rodearam a sua incorporação em Espanha até ao seu "carácter" marcadamente português. Hoje Olivença é uma vila (aliás, cidade) onde persistem impressionantes traços materiais portugueses, mas onde a língua portuguesa, que individualizava sobremaneira a sua população, submetida a tratos de polé pelos poderes, está em agonia, apenas sendo falada pelos mais velhos.


    Aproveitando ter de ir novamente aos arquivos históricos de Portalegre, Elvas e Olivença, fui, com um amigo (Alberto Matos), de novo a Olivença, onde, no dia 28 de Fevereiro de 2009, se realizava, por iniciativa da Associação Além Guadiana, uma jornada sobre o português oliventino, isto é, a variante alentejana do português que se falou correntemente, até há pouco, naquela cidade.


    Na véspera, à tarde, depois de um café bebido com Moisés Cayetano Rosado, professor da Universidade da Extremadura, em Elvas, lá fomos de novo para Olivença. Aí, não muitos passos eram andados, encontrámos, para os lados da Plazuela de la Magdalena, o Cláudio Torres e a Manuela Barros Ferreira, que se encontravam também nesta cidade, Pois Manuela ia falar sobre o Mirandês, língua, como se sabe, do Nordeste português.


    Depois de um périplo pelas ruas familiares, onde a cada momento aparecia qualquer coisa portuguesa, abancámos, os quatro, a uma mesa de Los Castillejos", para os lados da Plaza de España. Aqui, servidos por Don Ramón, saboreámos umas magníficas tapas, acompanhadas por um vinho local, o Quinta Alaude, em que os sabores extremenhos (deixem lá ficar com "x") e alentejanos se associavam.


    No dia seguinte, às matinais 9.30 horas espanholas, estávamos a estacionar junto ao antigo Convento de São João de Deus, encravado num dos baluartes da antiga fortificação portuguesa, a dois passos da famosa Porta do Calvário e da Rua Vasco da Gama.


    Lá estavam os jovens oliventinos da Associação Além Guadiana, organizadora do Encontro, diversos especialistas nos vários temas a tratar, alguns oliventinos ainda falantes do Português e gente ida de vários pontos de Portugal. Em número significativo, as pessoas acabaram por encher o salão, antiga igreja do convento.


    Naturalmente, lá estavam também algumas das conhecidas figuras da "Questão de
Olivença". Desde logo, o Jurista Teixeira Marques, Presidente do Grupo dos Amigos de Olivença, associação criada nos anos 40 do século passado, e Carlos Luna, outro nome incontornável na defesa dos direitos portugueses. Do lado de "las razones de España", distinguia-se Luis Alfonso Limpo, incansável paladino dos direitos de Espanha sobre Olivença. Todos, se não em efusivo, pelo menos em pacífico trato.


    No fim do dia, terminado o evento, tinha-se a certeza de que se havia dado um importante passo para a inversão do estado de coisas no que respeita à cultura e à língua tradicionais de Olivença. E sentia-se que a via da cultura era aquela em que todas as sensibilidades se podiam unir e trabalhar em conjunto.


A. Martins Quaresma

 

http://www.mare-alta.web.pt/

 

Obrigado à pessoa que nos forneceu esta informação.

Publicado por AG às 14:41
Ligação da entrada | Comentem | Adicionem aos favoritos
|  O que é? | Partilhári

.Hora solar de Olivença

.Procurem neste blógui

 

.Que horas são?

Hora oficial:

.Contadôri


contador de visitas

.Entradas recentes

. "Ruas e aldeias de Oliven...

. Ruas bilingues em Táliga?

. Nacionalidades também em ...

. Mirandês na escola (2017)

. Olivença e a Raia na TVE ...

. Limpeza da ermida de Noss...

. Língua quíchua, mais ensi...

. O asturiano em 2017

. Pastor (Ánchel Lois Salud...

. Português cristang ou cri...

.Arquivos

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

.Palavras-chave

. todas as tags

.Ligações

.Dicionário galego-português

Pesquisa no e-Estraviz

.Outubro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
blogs SAPO

.Participem

. Participem neste blógui

.Contadôri

.subscrever feeds