Sábado, 22 de Maio de 2010

Vidas ibéricas e invasões também ibéricas (no DN)

Vidas ibéricas e invasões mútuas no Diário de Notícias de Lisboa:

Teresa Rainha

"Queremos que nos invadam!"

por JORGE FIEL<input ... >Hoje<input ... >

"Queremos que nos invadam!"

Directora da Delegação da Junta da Extremadura em Lisboa. Cresceu em Lisboa a falar castelhano em casa, a frequentar o Instituto Cervantes, a ver a TVE, a ler e ouvir literatura e música espanholas

 

Para se perceber o que ela anda a fazer, é só olhar para um mapa da Península Ibérica e ter algumas noções de história: Mérida, onde está a sede da Junta da Extremadura, era, no tempo dos romanos, Emerita Augusta, a capital da Lusitânia, província que tinha em Olisipo o seu porto marítimo e no Tejo a coluna vertebral.

 

Guillermo Fernández Vara, o socialista que há três anos preside à Junta da Extremadura, vem a Lisboa apanhar o avião para Bruxelas, não só porque Lisboa fica mais perto (280 km) de Mérida do que Madrid (320 km), mas também porque estreitar os laços com Portugal é uma vantagem competitiva para a sua comunidade autónoma no interior do Estado Espanhol.

 

Teresa, 39 anos, é, à primeira vista, 100% portuguesa. Não há pinga de sotaque no português rico e fluente em que se exprime, o que é natural, pois viveu e estudou em Lisboa (licenciou-se em Relações Internacio-nais na Lusíada), apesar de ter nascido em Ávila, onde a mãe, espanhola de Valência de Alcântara, teve todos os seus filhos.

 

Filha de um português, engenheiro da EDP que foi director-geral das Pescas, cresceu em Lisboa, mas a falar castelhano em casa, a frequentar o Instituto Cervantes, a ver a TVE (menos os filmes, pois não gosta deles dobrados), a ler e ouvir literatura e música espanholas. "A minha mãe sempre foi muito espanhola", explica Teresa, casada com um espanhol de Badajoz, com quem tem duas filhas (Inês, cinco anos, e Marta, um), que conheceu em Bruxelas, onde trabalhou 15 anos e foi a representante da Extremadura junto da UE.

 

Trocou Bruxelas por Lisboa, para abrir e dirigir uma delegação da Extremadura na capital do seu primeiro parceiro comercial. Portugal é o principal cliente e fornecedor desta comunidade, deixando o segundo (a Alemanha) a enorme distância. Os 800 bebés portugueses nascidos em Badajoz desde que fechou a Maternidade de Elvas demonstram estar já muito longe os tempos em que a raia era apenas atravessada por contrabandistas e turistas de um dia em busca de caramelos ou café baratos.

 

Teresa escolheu almoçarmos na cafetaria do Altis Belém, próximo da zona das embaixadas no Restelo, onde em Junho de 2009 ela inaugurou a delegação da Extremadura em Lisboa, onde à varanda flutua a bandeira às riscas horizontais verde, branca e preta e no interior trabalham sete pessoas para esbater a barreira física e psicológica de uma fronteira com 428 km.

 

Ela vinha ao cheiro dos célebres risottos do chef Cordeiro, mas decidiu-se por um polvo, que estava delicioso, acompanhado por uma imperial e sobremesado por uma mousse de chocolate com morangos. "Faço um tortilha de batata muito boa", confessou, acrescentando que o segredo está em ter paciência para deixar a batata absorver o sabor do azeite.

 

Ao almoçou, falou do programa El Portugués abre puertas, que faz da Extremadura a região espanhola onde mais se fala a nossa língua (há 12 mil estudantes de Português), das relações transfronteiriças (Évora, Coimbra e Mérida são os vértices de uma nova eurorregião), do MEAC de Badajoz, que tem a sinalização bilingue e uma rica colecção de arte contemporânea portuguesa - questões que arrumam Olivença numa pequena gaveta da história.

"Queremos que nos invadam. A Extremadura é o sítio ideal para os portugueses porem o pé, para verem como é, antes de darem o salto para o resto de Espanha", desafia Teresa, que se declara portuguesa em Portugal e espanhola em Espanha, e já formatou a resposta para uma eventual final Portugal-Espanha no Mundial de futebol: "Ganho sempre e vou ter pena do que perdeu."

 

O TGV para Madrid, que porá Badajoz a 40 minutos de Lisboa, está tremido, pois o primeiro troço (Lisboa-Poceirão) foi congelado, o que leva Teresa a criticar o ancestral pessimismo português. "É preciso olhar em frente, ver mais além, agarrar as oportunidades e pensar no futuro. Essa maneira de ser pessimista é o lado em que eu não sou portuguesa. De mãos dadas, chegamos a 700 milhões de pessoas, em países emergentes como o Brasil, Angola, América Latina. Podemos fazer tantas coisas!", conclui esta luso-espanhola, portuguesa por fora, mas muito espanhola por dentro.

 

http://dn.sapo.pt/gente/interior.aspx?content_id=1575603
Publicado por AG às 06:22
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