Domingo, 11 de Junho de 2017

Dia de Portugal em Olivença (e missa em português), 10.VI.2017

Dia de Portugal: Olivença celebra missa em português

| País

REPORTAGEM: https://www.rtp.pt/noticias/pais/dia-de-portugal-olivenca-celebra-missa-em-portugues_v1007343

 

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A última fronteira

A última fronteira

Todas as cicatrizes contam uma história. Piores que as do corpo, talvez as do coração ou da alma. E há, também, as cicatrizes da história. É o caso das fronteiras, quase sempre desenhadas a sangue. A fronteira portuguesa vem de 1297, desde que Afonso III chegou aos Algarves, e é a mais antiga do continente.

Percorremos a raia e descobrimos dezenas de antigas fortalezas, de maior ou menor dimensão. Quase todas do lado português, o que diz bem de que lado sempre esteve o agressor. Entre a foz do rio Minho e a do Guadiana, o desenho do mapa que nos separa de Espanha é um ponteado equidistante de muitas centenas de marcos em granito, numerados. Faltam, porém, colocar 100, entre os números 801 e o 900, para nascente de Elvas e Monsaraz, entre o Caia e a foz do rio Cuncos. O intervalo da discórdia nesta delimitação de fronteiras tem um nome: Olivença, município sob ocupação espanhola desde 20 de maio de 1801, sujeitando os portugueses à injúria de ver cativa uma parcela inalienável do seu território. Ali é chão nosso, à luz do Direito internacional. Assim é pela história e pelo Tratado de Viena, assinado por Espanha em 1817, mas nunca cumprido.

De lá para cá, a questão de Olivença permanece assunto tabu nas diplomacias de Lisboa e Madrid. Mas Portugal nunca renunciou ao direito de posse sobre aquele município alentejano onde Espanha impôs, desde 1840, a proibição do uso da língua portuguesa, incluindo nas igrejas. Ontem, porém, e pela primeira vez em quase 200 anos, rezou-se missa em português na igreja da Madalena. E, pelo segundo ano consecutivo, centenas de oliventinos voltaram a comemorar o Dia de Portugal e das Comunidades. Viva! Não se trata de alimentar quixotismos ou manifestações antiespanholas, até porque o primeiro princípio da boa vizinhança é o respeito pelo vizinho e pela sua integridade. Mas, por mais que deixem de fazer sentido as fronteiras, Olivença é uma cicatriz mal sarada, que magoa quando tocada pelo dedo da memória. Na hora de apanharmos as canas do 10 de Junho, convém lembrar que é nosso dever não deixarmos portugueses para trás.

P.S.: E já que chamo as fronteiras à conversa, uma das últimas e mais subtis que ainda existem no espaço da União Europeia vai cair na próxima quinta-feira, dia 15. É o roaming nas telecomunicações, essa subtil imposição de tarifas especiais, amiúde abusivas, para quem utilizava os seus telemóveis no estrangeiro, para realizar chamadas, consultar o correio eletrónico ou aceder à Internet. Viva, também!

DIRETOR

http://www.jn.pt/opiniao/afonso-camoes/interior/a-ultima-fronteira-8554956.html

 

Publicado por AG às 09:13
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Comentário(s):
De Carlos Luna a 12 de Junho de 2017 às 12:43
RTP-1, 20:30, 10 DE junho DE 2017 (reportagem passada a texto)
   Jornalista/apresentadora da televisão- Olivença! Comemorou.se o Dia de Portugal, o momento alto foi a celebração duma missa em Português, o que não acontecia há mais de um século.
(imagens da Igreja da Madalena e da Missa até ao fim)
   Armando Seixas Ferreira (jornalista da RTP) - Afina-se o coro, em Português, na Igreja da Madalena, em Olivença, porque hoje se celebra o Dia de Portugal.
   Uma jovem oliventina (em Português)-  Hoje é o Dia de Portugal, estamos a celebrar, e uma das atividades é uma missa em Português.
   Armando Seixas Ferreira - Nesta Catedral, estilo manuelino, é a primeira vez, em mais de um século, que se celebra missa em Português.
   Eduardo Naharro Macias-Machado- Parece (que) ser, que a última missa [em português], que... ou parte da missa, sem ser o sermão do padre, foi em 1840,quando se proibiu a Língua Portuguesa nas Igrejas; pelo menos é o que consta, ou o que se diz; portanto, esta é realmente a primeira missa, na íntegra, na língua portuguesa em Olivença, hoje, 10 de junho de 2017.
   Padre Francisco (da Paróquia de Olivença) -  Creo que es una manera de hermanar lazos, que ya de por si están presentes, y que hay, "pois", un verdadeira harmonia y sintonia entre esta zona española y la zona portuguesa-
   Padre Francisco Cardoso (seminário de Vila Viçosa) no púlpito- (Quero) dirigir uma palavra para todos aqueles que compreendem ou não compreendem aquilo que eu estou a dizer: uns compreenderão porque são portugueses, outros porque nasceram em casas onde se falava o Português, outros não compreendem, mas estão a fazer esse esforço.
   Armando Seixas Ferreira - Uma missa diferente que orgulha também os oliventinos.
   José António Gonzalez Carrillo - O(s) oliventino(s) tem (têm) o coração partilhado entre Espanha e Portugal, Portugal é a sua História, e também o seu futuro, a tradição e a língua e tudo. E aqui neste caso, pois também a religião. O Padroeiro de Olivença, o Senhor dos Passos [imagem], tudo o que há neste templo, nesta cultura religiosa, é de origem portuguesa.
   Armando Seixas Ferreira (a terminar)-  Uma língua no encontro de dois povos que hoje celebram o Dia de Portugal em Olivença.
   (FIM)
De Carlos Luna a 12 de Junho de 2017 às 15:56
CORRIGIDO: RTP-1, 20:30, 10 DE junho DE 2017 (reportagem passada a texto)
   Jornalista/apresentadora da televisão- Olivença! Comemorou.se o Dia de Portugal, o momento alto foi a celebração duma missa em Português, o que não acontecia há mais de um século.
(imagens da Igreja da Madalena e da Missa até ao fim)
   Paulo Nobre (jornalista da RTP) - Afina-se o coro, em Português, na Igreja da Madalena, em Olivença, porque hoje se celebra o Dia de Portugal.
   Uma jovem oliventina (em Português)-  Hoje é o Dia de Portugal, estamos a celebrar, e uma das atividades é uma missa em Português.
   Paulo Nobre - Nesta Catedral, estilo manuelino, é a primeira vez, em mais de um século, que se celebra missa em Português.
   Eduardo Naharro Macias-Machado- Parece (que) ser, que a última missa [em português], que... ou parte da missa, sem ser o sermão do padre, foi em 1840,quando se proibiu a Língua Portuguesa nas Igrejas; pelo menos é o que consta, ou o que se diz; portanto, esta é realmente a primeira missa, na íntegra, na língua portuguesa em Olivença, hoje, 10 de junho de 2017.
   Padre Francisco (da Paróquia de Olivença) -  Creo que es una manera de hermanar lazos, que ya de por si están presentes, y que hay, "pois", un verdadeira harmonia y sintonia entre esta zona española y la zona portuguesa-
   Padre Francisco Cardoso (seminário de Vila Viçosa) desde o altar- (Quero) dirigir uma palavra para todos aqueles que compreendem ou não compreendem aquilo que eu estou a dizer: uns compreenderão porque são portugueses, outros porque nasceram em casas onde se falava o Português, outros não compreendem, mas estão a fazer esse esforço.
   Paulo Nobre - Uma missa diferente que orgulha também os oliventinos.
   José António Gonzalez Carrillo - O(s) oliventino(s) tem (têm) o coração partilhado entre Espanha e Portugal, Portugal é a sua História, e também o seu futuro, a tradição e a língua e tudo. E aqui neste caso, pois também a religião. O Padroeiro de Olivença, o Senhor dos Passos [imagem], tudo o que há neste templo, nesta cultura religiosa, é de origem portuguesa.
   Paulo Nobre (a terminar)-  Uma língua no encontro de dois povos que hoje celebram o Dia de Portugal em Olivença.
   (FIM)
 

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