Quinta-feira, 9 de Julho de 2015

Discurso de Ribeiro e Castro e Olivença (3.VII.2015)

Discurso individual ao abrigo do artigo 76º, n.º 2 do Regimento

parlamento oliventinos.jpg

Deputado José RIBEIRO E CASTRO – Assembleia da República, 3 de Julho de 2015

Senhora Presidente, Senhoras e Senhores Deputados,

Falo em nome dos portugueses de Olivença. Não do território, mas das pessoas. Falo dos oliventinos, do chamamento que nos fazem. Sejam espanhóis ou portugueses, ou ambas as condições, é Olivença enquanto as pessoas que lá pertencem que importa.

 

Saúdo na galeria, o recém-eleito Alcaide de Olivença, Manuel González Andrade, os autarcas do Partido Socialista Obrero Español, do Partido Popular (incluindo o anterior Alcaide, Bernardino Píriz) e da Izquierda Unida, e a representação da sociedade civil, cumprimentando a vossa presença na Assembleia da República. Bem-vindos!

Senhoras e Senhores Deputados,

A situação de Olivença, à face da nossa lei, do Direito Internacional e da Constituição, é conhecida. Aos nossos olhos, é território português sob administração espanhola – peço que guardem esta expressão. Portugal tem uma posição, Espanha sustenta a inversa. A fronteira não está definida entre as confluências do Guadiana com o Caia (a norte) e a ribeira de Cuncos (a sul), não havendo marcos fronteiriços entre o 801 e o 900, na área de Olivença. Não é disso que quero tratar – a pendência diplomática será superada quando for o tempo. Concordo com a posição mantida pelo Estado português, com sólidos fundamentos de direito. E defendo que Portugal e Espanha devem, em qualquer caso, aprofundar relações amistosas e de cooperação, ainda mais partilhando o quadro comum da União Europeia. Como vizinhos, estamos muito bem. E o bom e necessário é que sejamos amigos: vizinhos e amigos.

Já tinha estado em Olivença no final dos anos ’70. Mas foi há poucos anos que conheci uma Olivença diferente, através dos oliventinos. Ao tramitar uma petição, como Presidente da Comissão de Negócios Estrangeiros, conheci a “Além-Guadiana”, associação de direito espanhol, que desde 2008, com visão e generosidade, desenvolve trabalho notável de revitalização da matriz portuguesa em Olivença e Táliga e promove um pujante ideal de biculturalidade. Tem-no feito com as autoridades regionais e municipais, que participam desta visão e a apoiam, dando-lhe expressão. Hoje, em Olivença, vê-se calçada portuguesa; e, na toponímia do belíssimo Centro Histórico, todas as praças, ruas e travessas, exibem o nome actual espanhol e, em impecável azulejo, o correspondente nome antigo português. As raízes lusas são orgulho oliventino, que guarda admirável património monumental português, incluindo um precioso templo manuelino (a Igreja da Madalena), a Misericórdia (membro da nossa União), as muralhas e edifícios de referência, sinal de uma História rica que mergulha fundo na nossa expansão marítima, de Ceuta à Descoberta do Brasil. O trabalho da “Além-Guadiana” não tem paga possível. Expresso o reconhecimento a “Os Três Mosqueteiros” da biculturalidade e do bilinguismo, que, aqui, também são quatro: o Joaquin Fuentes Becerra, o Eduardo Machado, o José Antonio Gonzalez Carrillo (o escritor do grupo) e o D’Artagnan, que é mulher e artista, a Raquel Sandes Antunez. Nada teria sido possível sem eles e sem aqueles que se lhes juntam.

Esta Olivença, onde tenho ido dezenas de vezes e por que me apaixonei (“Olivença, meu amor”), é uma terra única, absolutamente singular: “a nossa pequena Alsácia”, como digo, na raia de Portugal e Espanha. São essa ambiguidade, essa dupla pertença, esses traços simultaneamente espanhóis e portugueses, que fazem Olivença diferente de tudo o resto e inconfundível – essa é a sua marca, o seu capital. No fundo, não é de estranhar que, olhando toda a História peninsular, pudesse haver, quanto a Portugal e Espanha, um lugar em que a fronteira não é fronteira, em que a fronteira não é uma linha tangente, mas linhas secantes dos dois, uma fronteira que, em vez de separar, abraça e reúne. Há! Esse lugar é Olivença, a celebrar os quinhentos anos do Foral manuelino: uma terra também alentejana, como podemos perceber junto ao Guadiana, defronte de Juromenha, ou na aldeia de São Jorge da Lor, cujas dezenas de chaminés não enganam – olhando-as, ouvimos o sotaque do Cante.

Este movimento, social e cultural, tem-se ampliado. A “Além-Guadiana” promove, sempre que pode, os “Lusofonias”, onde já estiveram artistas doutros países da CPLP. O último, em 2015, teve duas sessões: em Olivença, celebrando o Português Oliventino; e, em Lisboa, na Feira do Livro. O “Lusofonias” anterior, em Outubro de 2012, dera um passo enorme: na rua, diante da população e de todos os dirigentes do Ayuntamiento, a “Além-Guadiana” anunciou ir tratar dos pedidos de nacionalidade portuguesa sobre que era abordada por muitos oliventinos. Desde final do ano passado, esclarecidos alguns trâmites, vários têm visto reconhecida a cidadania portuguesa, mantendo a espanhola, conforme às leis de ambos os países – como é público, são já cerca de 200; e há outros que a buscam. Em Olivença, temos, hoje, portanto, cidadãos que são só portugueses; outros só espanhóis; e outros, oliventinos de pura cepa, simultaneamente portugueses e espanhóis – é esta a ilustração viva da biculturalidade.

Neste florescimento das raízes portuguesas, há, porém, dificuldades, que são do nosso lado. Não há problemas de circulação. Digo até, por graça, que é possível ir a Olivença sem passar por Espanha, desde a abertura, em 2000, ao lado das ruínas da Ponte da Ajuda, da nova ponte sobre o Guadiana, ligando Elvas e Olivença. Aí, não se vê um só soldado, um polícia, um guardia civil, um guarda-republicano, um arame farpado, um canhão, espingarda ou metralhadora, nem sequer uma fisga. A circulação é livre, travessia sem entraves. Todavia, é como se não víssemos o lado de lá. Há uma barreira mental. Vemos a norte Badajoz, vemos a sul Villanueva del Fresno, mas Olivença é como se não víssemos: há um tabu, como que um interdito, a pesar nas relações. É um problema nosso, que ainda agora se sentiu na quase nula atenção pública ao “Dia de Olivença” na Feira do Livro. E esse problema – de melindre, embaraço, desconforto – é só nosso; não há nada de semelhante do lado espanhol.

Outro problema, associado, é decorrência da questão diplomática: sempre que é preciso cuidar qualquer interesse comum e, portanto, tratar com quem exerce a Administração, seja o Ayuntamiento ou a Junta da Extremadura, seja o Governo em Madrid, o processo pára ou entra por labirintos intermináveis. Porquê? Porque as autoridades portuguesas não podem praticar actos, nem celebrar acordos que, directa ou indirectamente, envolvam o reconhecimento da soberania espanhola sobre Olivença. A cautela está certa; mas há que encontrar melhor forma de a cuidar, sob pena de prejudicarmos injustamente as populações, a desejável cooperação e, afinal, os portugueses de Olivença.

Dou exemplos. Se quisermos intensificar na raia o ensino do Português, o Ministério da Educação pode fazê-lo facilmente em Badajoz, com as autoridades respectivas. Em Olivença? Não. Para fazer um Festival Luso-Espanhol, as nossas autoridades culturais poderão trabalhar com Zafra. Com Olivença? Não. Se quisermos organizar competições de canoagem em cooperação hispano-portuguesa, poderemos fazê-lo em qualquer local adequado do Guadiana, menos no magnífico plano de água fronteiro ao castelo de Juromenha. A nova ponte só foi possível depois de tortuoso processo político-diplomático, que demorou anos. Em 2009, foi anunciado o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Guadiana Central, com sete municípios de cada parte, nos paralelos de Barrancos a Borba; mas o processo gorou-se. Porquê? Por causa do diferendo histórico – isto é, porque Olivença e Táliga eram parte. Agora, está em constituição a Euro-Cidade Elvas-Badajoz; Campo Maior irá aderir; mas Olivença, existindo igual vontade política, não poderá. É este tipo de problemas que importa saber superar.

A solução está na expressão que usei no início: “território português sob administração espanhola”.

O conceito – território de um sob administração de outro – é familiar: tivemo-lo, na Constituição, com referência a Macau. Mas o paralelo pára aqui; serve apenas para assinalar um conceito consagrado. Ou seja, é possível a Portugal proceder a essa qualificação formal, em acto legislativo, em Resolução ou em declaração política por nota diplomática, incluindo os pertinentes fundamentos de Direito e as reservas que sejam de especificar. Espanha não tem sequer que concordar com tal declaração portuguesa – o que naturalmente não fará, pois isso significaria o reconhecimento dos direitos de Portugal. Para o efeito em causa, chega uma declaração unilateral, com fundamentos de Direito, feita por uma parte e conhecida da outra. A Portugal basta, na verdade, que a outra parte ou qualquer terceiro não possa invocar contra si e os direitos históricos o facto de, a respeito de matérias de interesse comum, vir a tratar com as autoridades que de facto exercem a Administração sobre Olivença e acordar o que convier. E, ao mesmo tempo, Espanha não pode sentir-se melindrada com tal declaração, que apenas a nós importa, já que é de todos sabido, desde há duzentos anos, que Portugal sustenta ser o território português, como ficou resolvido em Viena, no Congresso que regulou o fim das várias guerras napoleónicas, de que este caso é uma sobra. Ora, a declaração de “território português sob administração espanhola” não acrescenta nada contra Espanha; pelo contrário, ao proteger, ao menos, o “status quo” quanto a Portugal, assegura que o desenvolvimento saudável e desinibido das relações bilaterais não afecta questões de fundo em que os Estados vizinhos divergem, nem pode ser invocado a que título for por um contra o outro. Nada mais que o necessário, nada menos que o indispensável.

Deixo a sugestão, para amadurecimento – e, ponderada como sólida, ser concretizada em breve. A partir daí, tudo poderá fluir sem mais entraves, nem tabus.

Senhoras e Senhores Deputados,

Temos, hoje, visitantes ilustres. Os oliventinos gostam de nós e procuram-nos. É muito consolador e reconfortante vê-lo, senti-lo, compreendê-lo e partilhá-lo em tempos tão difíceis, incertos e carregados de indiferença. Muitos buscam a nacionalidade como reencontro ancestral consigo mesmos, marca de uma singular biculturalidade raiana.

É importante que, desde o Aquém-Guadiana, os visitemos também, que apreciemos essa terra magnífica, que cultivemos a relação, que exaltemos o marco único que é. Deixo-vos o convite em nome dos oliventinos, para conhecermos melhor esta “nossa pequena Alsácia”, “Olivença, meu amor”. Vivamos o espírito do foral manuelino: Olivença dos oliventinos, sejam espanhóis, sejam portugueses, sejam portugueses e espanhóis. E que as relações fluam! Que as relações brilhem! Para bem dos povos e nosso progresso económico e cultural.

Nenhuma linha nos divide, todos os laços nos reúnem.

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 Versão em espanhol: 

Discurso individual al abrigo del artículo 76º, nº 2 del Reglamento

Diputado José RIBEIRO E CASTRO – Parlamento de Portugal, 3 de julio de 2015

Señora Presidenta, Señoras y Señores Diputados,

Hablo en nombre de los portugueses de Olivenza. No del territorio sino de las personas. Hablo de los oliventinos, del llamamiento que nos hacen. Sean españoles o portugueses, o ambas condiciones, es Olivenza en cuanto a las personas que le pertenecen lo que importa.

Saludo en la galería, al recién electo Alcalde de Olivenza, Manuel González Andrade, los ediles del Partido Socialista Obrero Español, del Partido Popular (incluyendo el anterior Alcalde, Bernardino Píriz) y de Izquierda Unida, y la representación de la sociedad civil, saludando vuestra presencia en el “Parlamento de la República Portuguesa”. ¡Bienvenidos!

Señoras y Señores Diputados,

La situación de Olivenza, según nuestra ley, del Derecho Internacional y de la Constitución, es conocida. A nuestros ojos, es territorio portugués bajo la administración española – les pido que guarden esta expresión. Portugal tiene una posición, España sostiene la inversa. La frontera no está definida entre las confluencias del Guadiana con el río Caya (al norte) y la ribera de Cuncos (al sur), no habiendo marcos fronterizos entre el 801 y el 900, en la zona de Olivenza.

No es eso de lo que quiero tratar– la pendencia diplomática será resuelta a su tiempo. Concuerdo con la posición mantenida por el Estado portugués, con sólidos fundamentos de derecho. Y defiendo que Portugal y España deben, en cualquier caso, profundizar en las relaciones amistosas y de cooperación, más aun compartiendo el marco común de la Unión Europea. Como vecinos, estamos muy bien. Y lo bueno y necesario es que seamos amigos: vecinos y amigos.
Yo ya había estado en Olivenza a finales de los ’70. Pero fue hace pocos años cuando conocí una Olivenza diferente, a través de los oliventinos. Al tramitar una petición, como Presidente de la Comisión de Asuntos Exteriores, conocí a “Além-Guadiana”, asociación del derecho español, que desde 2008, con visión y generosidad, desarrolla un trabajo notable de revitalización de la matriz portuguesa en Olivenza y Táliga y promueve un pujante ideal de biculturalidad. Lo han hecho con las autoridades regionales y municipales, que participan de esta visión y la apoyan, dándole expresión. Hoy, en Olivenza, se ve calzada portuguesa; y, en la toponimia de su bellísimo Casco Histórico, todas las plazas, calles y travesías, exhiben el nombre actual español y, en un magnífico azulejo, el correspondiente nombre antiguo portugués. Las raíces lusas son orgullo oliventino, que guarda un admirable patrimonio monumental portugués, incluyendo un precioso templo manuelino (la Iglesia de la Magdalena), la Misericordia (miembro de nuestra Unión), las murallas y edificios de referencia, marca de una Historia rica que se sumerge en lo hondo de nuestra expansión marítima, de Ceuta al Descubrimiento del Brasil. El trabajo de la asociación “Além-Guadiana” es impagable. Expreso el reconocimiento a “Los Tres Mosqueteros” de la biculturalidad y del bilingüismo, que, en este caso, también son cuatro: Joaquín Fuentes Becerra, Eduardo Naharro-Macías Machado, José Antonio González Carrillo (el escritor del grupo) y “D’Artagnan”, que es una mujer y artista, Raquel Sandes Antúnez. Nada habría sido posible sin ellos y sin aquellos que les acompañan.

Esta Olivenza, donde he ido decenas de veces y de la que me he enamorado (“Olivenza, mi amor”), es una tierra única, absolutamente singular: “nuestra pequeña Alsacia”, como digo, en la raya de Portugal y España. Son esa ambigüedad, esa doble pertenencia, esos rasgos simultáneamente españoles y portugueses, los que hacen Olivenza diferente del resto e inconfundible – esa es su marca, su capital. En el fondo, no es sorprendente que, memorando toda la Historia peninsular, pudiese haber, en relación a Portugal y España, un lugar en que la frontera no es frontera, en que la frontera no es una línea tangente, sino líneas secantes de los dos, una frontera que, en vez de separar, abraza y reúne. ¡Sí la hay! Ese lugar es Olivenza, celebrando los quinientos años del Foral manuelino: una tierra también“alentejana”, como podemos percibir junto al Guadiana, frente a Juromenha, o en la aldea de San Jorge de Alor, cuyas decenas de chimeneas no confunden a nadie – mirándolas, oímos el deje del “Cante”.

Este movimiento, social y cultural, se ha venido ampliando. “Além-Guadiana” promueve, siempre que puede, las “Lusofonías”, donde ya estuvieron artistas de otros países de la CPLP (Comunidad de Países de Lengua y Cultura Portuguesa). Las últimas, en 2015, tuvo dos sesiones: en Olivenza, celebrando el Portugués Oliventino; y, en Lisboa, en la Feria del Libro. En unas “Lusofonías” anteriores, en Octubre de 2012, habían dado un paso de gigante: en la calle, delante de la población y de toda la corporación Municipal, “Além-Guadiana” anunció que llevaría a cabo la tramitación de los pedidos de nacionalidad portuguesa al ser una demanda de muchos oliventinos. Desde el final del año pasado, aclarados algunos trámites, varios son los que han visto reconocida la ciudadanía portuguesa, sin menos cabo de la española, conforme a las leyes de ambos países – como es público, son ya cerca de 200; y hay otros que la buscan. En Olivenza, tenemos, hoy, por consiguiente, ciudadanos que son sólo portugueses; otros solo españoles; y otros, oliventinos de pura cepa, simultáneamente portugueses y españoles – es esta la ilustración viva de la biculturalidad.

En este renacer de las raíces portuguesas, hay, sin embargo, dificultades, que están en nuestro lado. No hay problemas de circulación. Digo incluso, bromeando, que es posible ir a Olivenza sin pasar por España, desde la apertura, en 2000, al lado de las ruinas de Puente Ayuda, del nuevo puente sobre el Guadiana, uniendo Elvas y Olivenza. Ahí, no se ve un solo soldado, un policía, un guardia civil, un guardia-republicano, un alambre de espino, un cañón, una escopeta o metralleta, ni siquiera un tirachinas. La circulación es libre, una travesía sin trabas. No obstante, es como si no viésemos el lado de allá. Hay una barrera mental. Vemos al norte Badajoz, vemos al sur Villanueva del Fresno, pero Olivenza es como si no la viésemos: hay un tabú, como algo prohibido, que pesa en las relaciones. Es un problema nuestro, como hace poco se sintió en la casi nula atención pública al “Día de Olivenza” en la Feria do Libro de Lisboa. Y ese problema – de susceptibilidad, remilgo, embarazo – es solo nuestro; no hay nada semejante del lado español.

Otro problema, asociado, es el transcurso de la cuestión diplomática: siempre que sea necesario cuidar cualquier interés común y, por lo tanto, tratar con quien ejerce la Administración, sea el Ayuntamiento o la Junta de Extremadura, sea el Gobierno en Madrid, el proceso para o entra por laberintos interminables. ¿Por qué? Porque las autoridades portuguesas no pueden practicar actos, ni celebrar acuerdos que, directa o indirectamente, impliquen el reconocimiento de la soberanía española sobre Olivenza. La cautela es correcta; pero hay que encontrar una forma mejor de cuidarla, no sometiendo a la pena de perjudicar injustamente las poblaciones, la deseable cooperación y, en definitiva, los portugueses de Olivenza.

Doy ejemplos. Si queremos intensificar en la raya la enseñanza del Portugués, el Ministerio de Educación puede hacerlo fácilmente en Badajoz, con las respectivas autoridades. ¿En Olivenza? No. Para hacer un Festival Hispano-Luso, nuestras autoridades culturales podrán trabajar con Zafra. ¿Con Olivenza? No. Si queremos organizar competiciones de piragüismo en cooperación hispano-portuguesa, podremos hacerlo en cualquier local adecuado del Guadiana, menos en el magnífico plano de agua fronterizo con el castillo de Juromenha. El nuevo puente solo fue posible después de un tortuoso proceso político-diplomático, que tardó años. En 2009, se anunció el Agrupamiento Europeo de Cooperación Territorial Guadiana Central, con siete municipios de cada parte, en los paralelos de Barrancos a Borba; pero el proceso se frustró. ¿Porqué? Por causa del diferendo histórico – es decir, porque Olivenza y Táliga formaban parte. Ahora, se está constituyendo la Euro-Ciudad de Elvas-Badajoz; Campo Maior se sumará; pero Olivenza, teniendo igual voluntad política, no podrá. Es este tipo de problemas el que hay que saber superar.

La solución está en la expresión que usé en el inicio: “territorio portugués bajo la administración española”.

El concepto – territorio de uno bajo la administración de otro – es familiar: lo tuvimos, en la Constitución, con referencia a Macau. Pero el paralelismo se para aquí; sirve solamente para señalar un concepto consagrado. Quiero decir, es posible que Portugal proceda a esa calificación formal, en acto legislativo, en Resolución o en declaración política por nota diplomática, incluyendo los pertinentes fundamentos de Derecho y las providencias que sean necesarias especificar. España no tiene ni siquiera que concordar con tal declaración portuguesa – lo que naturalmente no hará, pues eso significaría el reconocimiento de los derechos de Portugal. Para el efecto de lo que está en causa, basta con una declaración unilateral, con fundamentos de Derecho, hecha por una parte y conocida por la otra. A Portugal le basta, en verdad, que la otra parte o cualquier tercero no pueda invocar contra sí y los derechos históricos el hecho de que, con respecto a materias de interés común, venga a tratar con las autoridades que de hecho ejercen la Administración sobre Olivenza y acordar lo que convenga. Y, al mismo tiempo, España no se puede sentir molesta con tal declaración, que solo nos importa a nosotros, ya que es de todos sabido, desde hace doscientos años, que Portugal sostiene que el territorio es portugués, como quedó resuelto en Viena, en el Congreso que reguló el fin de las varias guerras napoleónicas, del que este caso es un remanente. Pues, la declaración de “territorio portugués bajo la administración española” no agrega nada contra España; por el contrario, al proteger, por lo menos, el “status quo” en cuanto a Portugal, asegura que el desarrollo saludable y desinhibido de las relaciones bilaterales no afecta cuestiones de fondo en que los Estados vecinos divergen, ni puede ser invocado a que título fuere de uno contra el otro. Nada más que lo necesario, nada menos que lo indispensable.

Dejo la sugerencia, para madurarla – y, ponderada como sólida, que se concretice en breve. A partir de ahí, todo podrá fluir sin más trabas, ni tabús.

Señoras y Señores Diputados,

Tenemos, hoy, visitantes ilustres. Los oliventinos nos quieren y nos procuran. Es muy consolador y reconfortante verlo, sentirlo, comprenderlo y compartirlo en tiempos tan difíciles, inciertos y cargados de indiferencia. Muchos buscan la nacionalidad como reencuentro ancestral consigo mismos, marca de una singular biculturalidad rayana.

Es importante que, desde este lado del Guadiana, también los visitemos, que apreciemos esa tierra magnífica, que cultivemos la relación, que alabemos el marco incomparable que representa. Os dejo la invitación en nombre de los oliventinos, para que conozcamos mejor esta “nuestra pequeña Alsacia”, “Olivenza, mi amor”. Vivamos el espíritu del foral manuelino: Olivenza de los oliventinos, sean españoles, sean portugueses, sean portugueses y españoles. ¡Y que las relaciones fluyan! ¡Que las relaciones brillen! Por el bien de los pueblos y nuestro progreso económico y cultural.

Ninguna línea nos divide, todos los lazos nos reúnen.

 

MAIS:

Diário de Notícias (Lisboa): http://www.dn.pt/Inicio/interior.aspx?content_id=4658618

Expresso: http://expresso.sapo.pt/politica/2015-07-02-Ribeiro-e-Castro-despede-se-do-parlamento-com-discurso-sobre-os-portugueses-de-Olivenca

Hoy Olivenza: http://www.hoyolivenza.es/actualidad/2015-07-06/olivenza-tema-central-discurso-parlamento-1624.html

Jornal de Notícias: http://www.jn.pt/PaginaInicial/Nacional/interior.aspx?content_id=4659993

Linhas de Elvas: http://www.linhas.pt/noticias/88-actual/1057-olivenca-na-despedida-do-deputado-ribeiro-e-castro

Observador: http://observador.pt/2015/07/02/ribeiro-e-castro-despede-se-do-parlamento-com-discurso-sobre-olivenca/

 

Publicado por AG às 14:36
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