Quinta-feira, 16 de Junho de 2016

Mais sobre o dia de Portugal em Olivença (2016)

As comemorações do Dia de Portugal

 
(...) "É inquestionável que os europeus estão insatisfeitos com o rumo da política europeia. E por o estarem, é útil termos presente que ou a UE encontra uma saída mais humana e mobilizadora, ou os riscos serão enormes para todos. A importância da concepção humanista e tolerante dos portugueses, como ficou patente, mais uma vez, nas cerimónias evocativas do 10 de Junho, não é uma questão menor neste quadro".
 
 

 

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades foi, este ano, oficialmente evocado em Paris, com a presença do Presidente da República e do Primeiro-ministro português.

Faz sentido. Metade da população portuguesa reside fora de portas e Paris é a segunda cidade com mais portugueses.

É na vasta diáspora espalhada pelos quatro cantos do mundo que os portugueses se reencontram, na forte identidade do país, testemunho vivo da conceção universalista de serem e estarem.

Portugal deve muito aos emigrantes. Não só na credibilização da dignidade do seu povo mas também na tolerância que colocam no relacionamento que fazem, para não falar nos efeitos económicos e financeiros a que dão causa.

A maneira de ser dos portugueses é, aliás, resultado de encontros seculares de culturas.

Por coincidência, o 10 de Junho foi celebrado no dia em que se iniciou o campeonato europeu de futebol, que ocorre em França, facto que propiciou o reforço do calor do patriotismo dos nossos emigrantes.

Também pela primeira vez, o 10 de Junho foi comemorado na cidade de Olivença. O evento ficou a dever-se à visão aberta do presidente da Câmara local, Manuel José González Andrade, consciente do mundo em que vivemos e da necessidade de estreitarmos as relações de proximidade entre os povos dos dois lados do Guadiana, que nesse local não separa mas une portugueses e espanhóis.

Daí o convite para que o signatário tomasse a palavra, enquanto Secretário-geral da UCCLA - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, tal como o Dr. José Ribeiro e Castro, dirigente do Movimento 2014, de defesa da língua portuguesa. Foram comoventes os eventos que tiveram lugar em Olivença, como a apresentação do 1.º Prémio Literário UCCLA de Novos Talentos, Novos Escritores de Língua Portuguesa, do jovem João Nuno Azambuja, contando-se ainda com a apresentação de representantes da Conexão Lusófona. A participação de coros femininos alentejanos e de jovens músicos da escola apoiada pela Câmara de Belmonte, de par com a evocação do fado por uma natural de Olivença, remataram uma moldura muito bonita.

Estes eventos ocorreram com a aproximação do referendo no Reino Unido sobre a eventual manutenção ou saída do país da UE e também das eleições legislativas em Espanha. Uma e outra destas votações revelam uma grande incerteza quanto ao futuro da própria UE.

E isto porque é inquestionável que os europeus estão insatisfeitos com o rumo da política europeia. Além de que o português é a quinta língua mais falada do mundo.

A crise estrutural que se vive não se ultrapassará com visões economicistas que endeusam os mercados. A frase do Presidente da República em França, enaltecendo o instinto do povo português e a grandeza humana de Portugal é muito acertada. É com ela que devemos contar para recriarmos a esperança no futuro, voltando a pensar em grande e não em pequenino.

O Dia de Portugal, comemorado em cidades de países europeus, valeu a pena por isso.

Vítor Ramalho é secretário geral da UCCLA - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa.

http://www.portugaldigital.com.br/opiniao/ver/20103737-as-comemoracoes-do-dia-de-portugal

 

Publicado por AG às 16:31
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Comentário(s):
De olivencalivre a 27 de Julho de 2016 às 15:50
Revista "MAIS ALENTEJO", 27 julho 2016

Página 18

"ALÉM GUADIANA"

O 10 DE JUNHO EM OLIVENÇA

José Ribeiro e Castro (jrcastro@sapo.pt)

Creio que já aqui o contei. Olivença é Alentejo - um Alentejo, hoje, também Extremadura. Muito do português oliventino, suas memórias mais fortes, os traços da arquitectura característica - não deixam lugar a dúvida: quando passamos a nova ponte da Ajuda, ao lado das belas ruínas da antiga, ainda estamos no Alentejo.
Uma vez fui a San Gimignano, belíssima cidadezinha medieval, na Toscânia. Quando vou à aldeia de São Jorge da Lor, em Olivença, é San Gimignano que me vem à memória. A comparação é atrevida, pois San Gimignano é de beleza única com as suas múltiplas torres. São Jorge da Lor Não tem torres; tem chaminés. E essas chaminés são alentejanas. Grandes, enormes, muitas, em todas as ruas e em quase todas as casas. Se fosse mais recuperada e arranjada, centrando a valorização característica nas suas chaminés e caiando ou pintando com esmero todas as casas, poderia também ser tão famosa quanto San Gimignano, salvaguardadas as devidas proporções.

No passado dia 10 de Junho, Portugal teve uma comemoração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas como nunca houvera. Foi em Olivença. Respirou-se Alentejo por todo o dia: não só por eu ter lá estado, honrosamente meio-alentejano e autarca em Odemira; mas por vários traços e sinais que atravessaram o programa que o Ayuntamiento e a Além-Guadiana puseram de pé.

Houve artesanato de concelhos vizinhos alentejanos assim como grupos corais a encerrar o dia com o Cante Alentejano em vozes femininas. E estiveram presidentes de Câmara Municipal e vereadores, pelo menos de Reguengos de Monsaraz, Redondo, Potel e Elvas, alem de Belmonte e Leiria, bem como os Alcaldes Extremeños de Villanueva del Fresno, Alconchel e Almendral - além de Olivença, pois claro.

Foi um grande dia local; e grande dia regional também - e nacional. Digo-o sem receio de ser desmentido: em todo o Alentejo, não houve outro 10 de Junho como o de Olivença neste ano. Foi uma estreia em cheio desta jornada tão forte, com várias notas simbólicas da maior importância e sensibilidade.



Primeiro, a participação, ao longo do dia, de centenas de crianças e jovens, destacando-se a leitura de poesia camoniana e a interpretação de um engraçadíssimo teatro de marionetas - os "robertos" da minha meninice . com um muito bem alinhavado enredo histórico. Segundo, a presença distinta da UCCLA, através do seu secretário-geral, Vítor Ramalho, e a apresentação em pré-lançamento da obra distinguida pela primeira vez com o novíssimo Prémio UCCLA "Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa": o "Era Uma Vez Um Homem", de João Nuno Azambuja.

Terceiro, a literatura portuguesa para crianças e jovens, apresentada por Maria Inês Almeida, que expôs uma já extensa obra e abriu-se ao diálogo com o público jovem. E quarto, o momento alto do dia: a oferta por Belmonte a Olivença da cópia da imagem de Nossa Senhora da Esperança que acompanhou Pedro Álvares Cabral na descoberta do Brasil, em 1500. Acompanhou também Frei Henrique de Coimbra, que, nessa viagem, celebrou a primeira missa no Brasil a seguir ao "achamento" e ao desembarque dos descobridores. Pedro Álvares Cabral nasceu em Belmonte e é na sua igreja que está guardada a imagem. Frei Henrique de Coimbra seria, depois, bispo de Ceuta e Olivença, aqui impulsionando a edificação de um fantástico monumento em estilo manuelino: a belíssima Igreja da Madalena, onde está o seu túmulo. Desde 10 de Junho [de 2016], Olivença guarda a réplica da imagem de Nossa Senhora da Esperança, assim traduzindo e selando a geminação que Belmonte e Olivença assinaram há poucos meses.



Para mim, porém, foram outros os momentos mais altos, afectivos, desse dia tão intenso. Como esquecer o fado a seco arrancado pela Raquel DSandes Antunez, interpretando "a capela" um difícil tema de Dulce Pontes? Como não lembrar a apresentação pelo Joaquín Fuentes Becerra da imagem de Nossa Senhora da Esperança e sua história, antes de os líderes municipais de Olivença e de Belmonte selarem a oferta? Como deixar passar o Eduardo Machado vestid

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