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ALÉM GUADIANA

Associação Além Guadiana (língua e cultura portuguesas em Olivença): Antigo Terreiro de Santo António, 13. E-06100 OLIVENÇA (Badajoz) / alemguadiana@hotmail.com / alemguadiana.com

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Entre Sines e Olivença

AG, 28.01.09
 

Jornal Municipal de Sines, o SINEENSE, n. 61, Dezembro de 2009

(uma enorme fotografia da estátua local de Vasco da Gama)

ENTRE SINES E OLIVENÇA

Não há certamente figura de História de Portugal mais conhecida no mundo do que Vasco da Gama.

A expressão "era gâmica", usada por um historiador inglês para expressar a organização e o domínio do mundo pela Europa e a mundialização dos contactos entre povos, é bem eloquente. Claro que o Vasco da Gama que todos, mais ou menos, "recebemos" na Escola, é o Vasco da Gama que a historiografia romântica nos legou, que a "ritualização da história", de monárquicos regeneradores e republicanos, enalteceu, que o nacionalismo do Estado Novo promoveu. E há que ter consciência disso.
   

Vasco da Gama tornou-se, pois, um símbolo e um mito, que vai além da figura histórica e das suas realizações concretas. Uma parte dessa dimensão simbólica, a da aproximação dos povos, realizou-se, de alguma forma, em Sines, ao longo da sua história.

Quando se diz que Vasco da Gama nasceu em Sines trata-se, em rigor, de uma dedução. Uma dedução cujo alto grau de probabilidade lhe confere, praticamente, a qualidade de facto histórico. Por isso, hoje, se afirma, sem mais, que Vasco da Gama é de Sines. Seja como for, existe, historicamente comprovada, uma estreita ligação do almirante da Índia com Sines.

Mas se Vasco da Gama é de Sines, onde estão as suas origens? O apelido Gama é tido como originário da raia de Espanha, concretamente da zona de Elvas/Olivença. Um autor português chegou a afirmar que Estêvão da Gama, seu pai, era natural de Olivença. Mais uma vez, estamos perante uma situação em que faltam documentos históricos confirmativos. Mas a existência do apelido naquela região e de algumas relações comprovadas, até de um outro Vasco da Gama oliventino contemporâneo do sineense, fazem-nos admitir ser esta a origem da família Gama (*).


Quando visitamos algumas destas terras fronteiriças, mormente Olivença, a ambiência que sentimos, em particular devida aos monumentos manuelinos existentes, remete-nos, irresistivelmente, para a época de Vasco da Gama. Em Olivença, o portal do antigo palácio dos duques de Cadaval, o interior da Igreja da Madalena, até uma rua chamada Vasco da Gama, em homenagem ao "insigne marinheiro, descendente dos Gamas de Olivença" (como reza a decisão da edilidade oliventina, de 1896), são-nos familiares.

Em Sines, para além da Ermida da Senhora das Salas, o edifício que melhor evoca Vasco da Gama é o castelo, já porque está ligado a essa figura da História de Portugal, já porque nele foi instalada a Casa de Vasco da Gama, aberta agora ao público com a presença do Presidente da República. Outro edifício histórico foi, entretanto, reparado na costa de Sines, o forte do Pessegueiro, que (juntamente com o do Revelim) foi, é interessante, levantado pela mão de um outro nativo de Olivença, o engenheiro João Rodrigues Mouro.

Quanto a Olivença, o credenciado grupo musical "folk" chamado Acetre canta também em português. E, recentemente, foi fundada uma Associação, de nome "Além Guadiana", cujo objectivo é a recuperação da cultura portuguesa. Essa ligação a Portugal, às raízes portuguesas de Olivença, é qualquer coisa que igualmente diz respeito a Sines.


A. Martins Quaresma
________________
(*) (À MARGEM DO TEXTO): desde sempre foi voz corrente entre o povo de 
Olivença que o irmão mais velho de Vasco da Gama, Paulo da Gama, que o acompanhou à Índia e que morreu diante dos Açores e está enterrado na Ilha Terceira, tinha nascido na "Terra das Oliveiras"(FIM DA NOTA de Carlos Luna À MARGEM DO TEXTO)

 

Fonte: http://www.sines.pt/PT/Actualidade/sineense/Documents/Sineense%2061%20(Dez%2008%20-%20Jan%2009).pdf