Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

ALÉM GUADIANA

Associação Além Guadiana (língua e cultura portuguesas em Olivença): Antigo Terreiro de Santo António, 13. E-06100 OLIVENÇA (Badajoz) / alemguadiana@hotmail.com / alemguadiana.com

ALÉM GUADIANA

Associação Além Guadiana (língua e cultura portuguesas em Olivença): Antigo Terreiro de Santo António, 13. E-06100 OLIVENÇA (Badajoz) / alemguadiana@hotmail.com / alemguadiana.com

Contadôri

Flag Counter

Ainda a Jornada... agora vista do Algarve

AG, 28.04.09

Jornal "COSTA A COSTA"

(Lagos, Algarve; também sudoeste alentejano),

15-Abril-2009,

 

Jornada de 28-Fevereiro-2009 em Olivença


A "NOSSA" OLIVENÇA; A OLIVENZA "DELES"

 

A. Martina Quaresma, historiador (duas gravuras; uma com Cláudio Torres falando com outras pessoas, com a legenda "Cláudio Torres, Alberto Matos e Joaquín Fuentes, Presidente da Associação de Além Guadiana"; outra, com a assistência, com a legenda "Aspecto da Assistência")


    Como 90%,ou mais, dos portugueses, sempre conheci "a" Olivença, cujo nome está em inúmeras ruas de vilas e cidades portuguesas. E como 90%, ou mais, dos portugueses, também eu nunca dediquei a Olivença muitas das minhas cogitações.


   

De repente, uma série de factos, mais ou menos simultâneos, fizeram-me "descobrir Olivença: uma rápida visita em busca de um oliventino do século XVII, que, no litoral alentejano, fez obra de engenharia militar; uma audição, no "Youtube", do grupo "folk" oliventino "Acetre"; o conhecimento, em Milfontes, de uma oliventina que falava português; e, mais recentemente, o aparecimento duma associação cultural, a Além Guadiana, que pretende promover a cultura portuguesa em Olivença.


    Rapidamente, lembremos que, anexada pela Espanha, em 1801, durante a rápida "Guerra das Laranjas", nome p+ouco guerreiro do primeiro episódio das sangrentas invasões francesas, Olivença tem-se mantido, desde então, como uma espinha atravessada na garganta lusa. Não é que o assunto tenha estado sempre na berra, mas a verdade é que, oficialmente, o Estado português não reconhece a soberania espanhola sobre Olivença e continua a existir um pequeno sector da opinião pública portuguesa que mantém viva a questão. Convenhamos, sem nos alargarmos, que Olivença tem todos os ingredientes para se manter no centro de uma disputa, desde as circunstâncias históricas que rodearam a sua incorporação em Espanha até ao seu "carácter" marcadamente português. Hoje Olivença é uma vila (aliás, cidade) onde persistem impressionantes traços materiais portugueses, mas onde a língua portuguesa, que individualizava sobremaneira a sua população, submetida a tratos de polé pelos poderes, está em agonia, apenas sendo falada pelos mais velhos.


    Aproveitando ter de ir novamente aos arquivos históricos de Portalegre, Elvas e Olivença, fui, com um amigo (Alberto Matos), de novo a Olivença, onde, no dia 28 de Fevereiro de 2009, se realizava, por iniciativa da Associação Além Guadiana, uma jornada sobre o português oliventino, isto é, a variante alentejana do português que se falou correntemente, até há pouco, naquela cidade.


    Na véspera, à tarde, depois de um café bebido com Moisés Cayetano Rosado, professor da Universidade da Extremadura, em Elvas, lá fomos de novo para Olivença. Aí, não muitos passos eram andados, encontrámos, para os lados da Plazuela de la Magdalena, o Cláudio Torres e a Manuela Barros Ferreira, que se encontravam também nesta cidade, Pois Manuela ia falar sobre o Mirandês, língua, como se sabe, do Nordeste português.


    Depois de um périplo pelas ruas familiares, onde a cada momento aparecia qualquer coisa portuguesa, abancámos, os quatro, a uma mesa de Los Castillejos", para os lados da Plaza de España. Aqui, servidos por Don Ramón, saboreámos umas magníficas tapas, acompanhadas por um vinho local, o Quinta Alaude, em que os sabores extremenhos (deixem lá ficar com "x") e alentejanos se associavam.


    No dia seguinte, às matinais 9.30 horas espanholas, estávamos a estacionar junto ao antigo Convento de São João de Deus, encravado num dos baluartes da antiga fortificação portuguesa, a dois passos da famosa Porta do Calvário e da Rua Vasco da Gama.


    Lá estavam os jovens oliventinos da Associação Além Guadiana, organizadora do Encontro, diversos especialistas nos vários temas a tratar, alguns oliventinos ainda falantes do Português e gente ida de vários pontos de Portugal. Em número significativo, as pessoas acabaram por encher o salão, antiga igreja do convento.


    Naturalmente, lá estavam também algumas das conhecidas figuras da "Questão de
Olivença". Desde logo, o Jurista Teixeira Marques, Presidente do Grupo dos Amigos de Olivença, associação criada nos anos 40 do século passado, e Carlos Luna, outro nome incontornável na defesa dos direitos portugueses. Do lado de "las razones de España", distinguia-se Luis Alfonso Limpo, incansável paladino dos direitos de Espanha sobre Olivença. Todos, se não em efusivo, pelo menos em pacífico trato.


    No fim do dia, terminado o evento, tinha-se a certeza de que se havia dado um importante passo para a inversão do estado de coisas no que respeita à cultura e à língua tradicionais de Olivença. E sentia-se que a via da cultura era aquela em que todas as sensibilidades se podiam unir e trabalhar em conjunto.


A. Martins Quaresma

 

http://www.mare-alta.web.pt/

 

Obrigado à pessoa que nos forneceu esta informação.