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ALÉM GUADIANA

Associação Além Guadiana (língua e cultura portuguesas em Olivença): Antigo Terreiro de Santo António, 13. E-06100 OLIVENÇA (Badajoz) / alemguadiana@hotmail.com / alemguadiana.com

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Português oliventino ou inglês lisboetês?

AG, 20.06.10

Isto que se segue vai dedicado aos amigos do portunhol, aos que afirmam que o português oliventino é uma mistura de português e espanhol, para que vejam que o português lisboeta é tudo menos português virgem, e que o inglês está aí como se o português não tivesse recursos. Contra a ignorância.

língua

Estrangeirismos Para usar à boca cheia

por Luís Leal Miranda, Publicado em 19 de Junho de 2010   
Neologismos e estrangeirismos entram na língua portuguesa e acomodam-se como se estivessem em casa. P
or que razão é tão cool usar o inglês a meio de uma frase?

 

Portugal produz pouco e importa muito. É por isso que a nossa economia está como está e diálogos destes podem acontecer a qualquer momento.

- Fiz o download de uma app super cool que permite ter karaoke no meu iPod.

- É um update da versão anterior?

- Sim. Tem um template diferente, mais fashion.

- És mesmo nerd.

Os estrangeirismos despontam em solo português como ervas daninhas em jardins públicos. E não são plantas que cortamos pela raiz ou substituímos por espécies autóctones. "Não há em Portugal uma entidade que pugne pela língua portuguesa", comenta a professora Maria Regina Rocha, consultora do site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa e colaboradora do programa "Cuidado Com a Língua!" (RTP) que terminou agora a sexta série. O uso repetido de estrangeirismos tem duas explicações: ou porque não há de facto um equivalente na língua-mãe - o caso da linguagem técnica na informática; ou porque em certos meios sociais é mais aceite a palavra em inglês e francês. "Lembro-me do ténis, onde há uma palavra em português para cada momento do jogo e os comentadores insistem nos termos ingleses como "set" e "match"", aponta Regina Rocha, que conclui: "O estrangeirismo em alguns meios dá um ar mais cosmopolita e elegante, mas é desnecessário." Touché.

 

Karaoke = Cantaroler
Adaptação livre da palavra japonesa que significa “orquestra vazia”. A opção “caraoque” também foi ponderada mas “cantaroler” funde na perfeição o que é o karaoke: cantarolar e ler.

 

Catering = Telefome
É muito difícil que esta pegue mas o raciocínio faz sentido. Acompanhe--nos: entrega + comida + domicílio + encomenda + telefone + fome = Telefome. Rebuscado mas justificável.

 

Nerd  = Cromo
Coleccionam BD, vão a encontros de Magic e têm opiniões sobre a quarta série de “Star Trek”. Em português o equivalente é cromo. Porque envolve coleccionismo e aderência: aderir a clubes de xadrez, por exemplo.

 

Cool = Polar
“Cool” é frio, mas não vamos dizer que aquela banda é “muito fria”. O termo gelado também não serve, mas “polar” é perfeito. Quando uma coisa é mesmo incrível então pode ser “bipolar”.

 

Croissant = Croisandes
Este aportuguesamento parece saído da cabeça de uma avó surda, mas é irresistível. “Croisandes” mantém o som da palavra  original e funde-se com um pragmatismo meio tosco: se leva fiambre, é uma sandes.

 

Geek = guique
Os espanhóis não sabem o que é um punk, mas todos conhecem um “punki”. Por que não seguir a regra e fazer do geek um “guique”?

 

In = Agora
É um dos anglicismos mais enjoativos. A praia está “in”, fazer o próprio pão é “in”. Porque não manter a referência espacio-temporal usando um termo português: agora.

 

Download = subcarga
“Subcarga” repete a ideia do étimo inglês e permite a construção do verbo “subcargar”. Há quem use o termo “descarga”, mas isso é autoclismo no Brasil.


http://www.ionline.pt/conteudo/65269-estrangeirismos-usar--boca-cheia