Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

ALÉM GUADIANA

Associação Além Guadiana (língua e cultura portuguesas em Olivença): Antigo Terreiro de Santo António, 13. E-06100 OLIVENÇA (Badajoz) / alemguadiana@hotmail.com / alemguadiana.com

ALÉM GUADIANA

Associação Além Guadiana (língua e cultura portuguesas em Olivença): Antigo Terreiro de Santo António, 13. E-06100 OLIVENÇA (Badajoz) / alemguadiana@hotmail.com / alemguadiana.com

Contadôri

Flag Counter

Olivença através dos livros (exposição de 2017)

AG, 20.03.17

Cartel A3 portugués.jpg

EXPOSIÇÃO:

OLIVENÇA ATRAVÉS DOS LIVROS

Coleção: José Antonio González Carrillo

DESDE 24 DE MARÇO ATÉ 30 DE ABRIL DE 2017

MUSEO ETNOGRÁFICO EXTREMEÑO “GONZÁLEZ SANTANA” – OLIVENÇA (BADAJOZ)

INAUGURAÇÃO: SEXTA FEIRA, 24 DE MARÇO – 19:00 HORAS (HORA ESPANHOLA)

O enclave e contexto de Olivença entesoura desde há séculos numerosas publicações, documentos manuscritos, inventários e registos que refletem a sua evolução sob múltiplos prismas.

No século XVI começam a aparecer as primeiras referências explícitas em livros impressos sobre a localidade, numa época na qual a vila crescia notavelmente com a concessão de privilégios como o foral manuelino.

No século XVII e nomeadamente desde 1640, com a guerra da Restauração entre Espanha e Portugal, as referências à vila crescem notavelmente na documentação impressa e começam a ser publicados documentos monográficos e explícitos, surgindo os primeiros frontispícios que aludem diretamente ao enclave. No âmbito administrativo e religioso, são difundidos os primeiros panegíricos, corografias, relações eclesiásticas e diversa documentação administrativa. Um exemplo é a publicação da obra Relação do bispado de Elvas em 1635.

Mas é sem dúvida com a chegada do século XVIII (com a invenção da pilha mecânica nos processos de produção e o embaratecimento do papel) quando a documentação impressa sobre Olivença cresce notavelmente, sendo impressas, por exemplo, obras de caráter hagiográfico que se ocupam de forma mais detalhada do contexto da localidade e das suas personagens. Assim, publicam-se, em 1747, Olivença illustrada pela vida e morte da grande serva de Deos Maria da Cruz e alguns estudos e pequenos relatos que fazem alusão ao terramoto de Lisboa de 1755 e as suas consequências sobre a localidade.

Neste século também começa a crescer notavelmente o número de obras de autor, como os versos d’A martinhada, de Caetano da Silva Souto-Maior, a primeira obra impressa deste tipo nascida da pena de um oliventino.

Com a chegada do século XIX, o território de Olivença muda de nacionalidade e a documentação impressa serve também para refletir o momento crucial que se vive.

O próprio tratado de Badajoz de 1801 é levado à imprensa tanto em língua espanhola como portuguesa. Também veem a luz diferentes estudos demográficos e atas de sessões plenárias.

São os anos nos quais a imprensa começa a experimentar um novo impulso devido à aparição do papel de fabricação mecânica, de menor qualidade mas que permitia reduzir os custos de produção. Cresce então notavelmente o número de trabalhos de divulgação referentes ao enclave, vendo a luz publicações difíceis de adquirir hoje e onde começam a surgir os primeiros semanários impressos na própria localidade.

Com a chegada do século XX, o livro de temática oliventina começa a experimentar um amplo desenvolvimento, quer por criadores locais, quer por forâneos.

Desta maneira surgem obras impressas imprescindíveis para conhecer a história e idiossincrasia da localidade do lado português, como Olivença, de Matos Sequeira, Rocha Junior e Alberto Souza, O património da sereníssima Casa de Bragança em Olivença, de Ventura Ledesma Abrantes, ou Três dias em Olivença, de Hermano Neves, todas elas imprescindíveis para entender a vasta identidade que entesoura o enclave.

Do lado espanhol publicam-se estudos como Menudencias históricas, de Jesús Rincón, entre muitas outras, que também ajudam a esclarecer uma parte do passado colocando diferentes teses no aprofundamento histórico.

Com a chegada da democracia à península, nos anos setenta do século XX, o livro sobre Olivença volta a experimentar um novo renascimento pela mão de investigadores e estudiosos que também abrem novos caminhos a autores que começam a plasmar sobre o papel outras ciências como a criação poética, o ensaio e a arte.

Com todo o descrito, o Museu Etnográfico Estremenho González Santana, no seu labor de difundir os valores etnográficos e culturais da vila, convida a aprofundar no universo bibliográfico oliventino com uma seleção de obras pertencentes à coleção privada de José Antonio González Carrillo, oliventino, bibliófilo e também autor de diversos trabalhos e publicações.

Antologia de obras impressas sobre Olivença e o seu contexto, de grande valor sentimental e documental, difíceis de compilar na atualidade e exibidas reunidas pela primeira vez.