Domingo, 24 de Março de 2019

Terras sem sombra (TSS) 2019

Terras Sem Sombra

Olivença é considerada, hoje, uma cidade que não renunciou à tradição lusa, constituindo um símbolo de convivência e diálogo de culturas.

E é neste contexto que a primeira proposta do TSS 2019 vai para a tarde deste sábado, dia 23 e para a visita, a partir das 16.00 horas, sob a orientação de Joaquín Fuentes, da Associação Além-Guadiana, que sugere compreender os pilares da história local, assim como os principais monumentos e outros aspetos marcantes do património concelhio e do quotidiano das suas gentes.

A igreja de Santa Maria do Castelo, recebe, também, neste sábado, às 20.00 horas, hora local, o concerto “Uma Viagem Imaginada: Suítes Francesas para Viola da Gamba”. Em palco, quatro dos maiores intérpretes de música barroca da atualidade, Sofia Diniz, Holger Faust-Peters, Josep Maria Martí Duran e Fernando Miguel Jalôto. Trata-se da apresentação, em estreia absoluta, do CD La Lyre d’Apollon, dedicado ao primeiro livro de peças para aquele instrumento de Jacques Morel, o célebre compositor do tempo do Rei Sol, e que vai ser lançado pela prestigiada editora alemã Conditura.

A manhã de domingo, dia 24, a partir das 10.30 horas (hora local), vai ser dedicada à biodiversidade do concelho, sob a orientação de dois peritos territoriais, Joaquín Figueredo e Norberto Antúnez, tendo por alvo a serra de Alor.

O Terras sem Sombra parte a seguir para Beja, Elvas, Cuba, Ferreira do Alentejo, Odemira, Barrancos, Santiago do Cacém e Sines.

http://www.vozdaplanicie.pt/index.php/noticias/tss-2019-esta-neste-fim-de-semana-em-olivenca

RÁDIO PAX:

https://www.radiopax.com/terras-sem-sombra-a-conquista-de-olivenca/

 

Publicado por AG às 09:11
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Comentário(s):
De Anónimo a 24 de Março de 2019 às 15:21
SONETO: TERRAS SEM SOMBRA NO ALENTEJO

Alentejo, terr' imensa que canta,/
e cantand' à Naturez' agradece,/
nesta toada qu' a todos encanta,/
o seu cante como vital benesse...//

Terras sem sombra, de secura tanta,/
'sperand' a água que pouc' aparece,/
canto dolente qu' a tantos 'spanta,/
cant' alegre da dor de que padece!//

Vozes cavadas no teu próprio chão,/
sulcos rasgados com ternur' e vigor,/
'sforç' inglório donde quase não sai pão!//

Ao menos cantando recebes amor,/
que do teu peito sai com tod' a paixão,/
por ver a terra desprezar-lh' o labor...///

Estremoz, 6 de março de 2019
Carlos Eduardo da Cruz Luna
De olivencalivre a 27 de Março de 2019 às 15:22
PJORNAL DE LETRAS, 27 de março a 9 de abril de 2019
Página 6
DESTAQUE
TERRAS SEM SOMBRA, EM OLIVENÇA
A MAIS PORTUGUESA CIDADE ESPANHOLA
[fotografia do grupi a atuar, com a legenda"Terras sem Sombra. Concerto do grupo liderado por Joana Diniz, na Igreja de Santa Maria do Castelo, em Olivença]
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« O Terras sem Sombras, festival de música erudita, património e biodiversidade do Alentejo, saltou até à outra margem do Guadiana. Pela primeira vez realizou-se em Olivença. O JL acompanhou esta etapa do festival, dias 23 e 24, que celebrou a cidade enquanto ponto de encontro de culturas»
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Manuel Halpern, em Olivença
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O bar do Convento de São João de Deus, em Olivença, tem uma "slot machine". Conversa-se em voz alta, bebe-se "Cruz del Campo, mosto", e café "con leche". Não há dúvida, estamos em Espanha. A questão de Olivença já poucos colocam (*). O hábito fez os monges. Ninguém ali se sente genuinamente português, embora respeitem as origens. Dois séculos de administração espanhola dotaram as regras. E o facto de, alegadamente, a cidade e a região envolvente pertencerem juridicamente a Portugal, e de ali não se terem erguido marcos de separação territorial, parece ser apenas um detalhe burocrático, que carece de correspondência com a realidade (*). Contudo, quando entramos no centro histórico, a herança portuguesa impõe-se em toda a sua monumentalidade. A majestosa igreja da Madalena, exemplar magnífico do estilo Manuelino, a igreja de Santa Maria do Castelo, a capela do Espírito Santo [NOTA: Santa Casa da Miseericórdia; FIM DA NOTA], o escudo de Portugal que ainda se mantém junto à muralha de Dom Dinis, as mais imponentes casas do centro histórico ou a calçada portuguesa que ainda por ali se encontra. Olivença é deles, espanhóis, mas também é portuguesa, na sua história, na sua memória, nas suas raízes.
Segundo Eduardo Machado, oliventino e um dos maiores responsáveis pela vinda do Terras Sem Sombra ali, 90% do Património cultural da cidade é de origem portuguesa. Um pouco de Portugal em Espanha. Assim como Olinda, no Brasil, mas com a importante diferença de ficar mesmo ali junto à fronteira. Local de identidade repartida, que se torna um ponto privilegiado para o encontro de culturas ibéricas: a cidade mais portuguesa de Espanha. Ainda hoje, em aldeias como São Bento se encontram alguns (cada vez menos) anciãos que falam português. Ou o português oliventino, como gostam de lhes chamar, salientando algumas interessantes variantes, até ao nível do vocabulário: chamam almoço ao pequeno almoço,jantar ao almoço e ceia ao jantar.(**). Tudo isto se está a perder.
Joaquín Fuentes Becerra, presidente da Associação Além Guadiana, que nos serviu de guia, explica: "Não foi em 1802 [NOTA: 1801], com o Tratado de Badajoz, que Olivença deixou de ser portuguesa. Mass já em meados do século XX, quando acabou a resistência cultural, quando os pais deixaram de ensinar português aos filhos, quando os avós deixaram de ensinar português aos netos". A aculturação espanhola teve os seus resultados e mesmo que sobrem alguns focos de cultura portuguesa no quotidiana, como na culinária ou música popular, são residuais. E as queijadas de ovos são postas à venda ao lado das "Palmeras" de chocolate ou dos Donuts.
A questão de Olivença está de tal forma rewsolvida - não passa pela cabeça de ninguém reivindicar o território(*) - que os responsáveis políticos entraram numa outra fase. O Alcaide da cidade, Manuel José González Andrade, fala da importância da cultura portuguesa como fator de diferenciação, a nível turístico e não só. E tem sido feito um esforço nesse sentido, com o aumento de aulas de português ou iniciativas ligadas à História, "porque as pessoas querem conhecer a origem dos seus avós". (CONTINUA)
De olivencalivre a 27 de Março de 2019 às 15:24
PARTE 2
JORNAL DE LETRAS, 27 de março a 9 de abril de 2019
Francisco Martín Simón, diretor da Região de Turismo da Extremadura, prefere falar de iberismo, e da importância de concertar iniciativas comuns aos dois países e, em particular, entre as regiões da Extremadura e do Alentejo, como aconteceu este ano no Terras Sem Sombra. E refere-se à estatística para afoirmar que a Penínsukla Ibérica, como um todo, é o maior destino turístico do mundo.
Com a mudança de estratégia do lado espanhol, a partir dos anos [19]80, com a ideia de reverter um pouco o processo de aculturação, algumas importantes iniciativas têm sido tomadas. Simbolicamente importante é o facto da cidade ter aderido à União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA). Mas talvez ainda mais significativo seja a possibilidade dada aos oliventinos de adquirirem dupla nacionalidade. Joaquín é um dos mil oliventinos que recentemente adquiriu a nacionalidade portuguesa. Diz: "Vai ser uma animação. Vou passar a votar não só nas eleições espanholas, mas também nas poirtuguesas". Joaquín é um apaixonado pela cultura portuguesa e, apesar do castelhano ser a sua língua materna, fala português fluentemente, sem sotaque.
O Terras sem Sombra é um festival que se confunde com uma temporada, que decorre invariavelmente ao fim de semana, durante cerca de seis meses. Tem um conceito forte onde se alia a música erudita, à cultura patrimonial e à biodiversidade. O ponto mais alto é inevitavelmente o concerto. Em Olivença, esse momento teve contornnos específicos.
Juan Ángel Vela del Campo, reconhecido crítico musical e diretor artístico do festival, explica a estratégia: "Para os concertos de Olivença e Valência de Alcântara, onde o festival se estendeu pela primeira vez este ano, a grande preocupação foi dar a conhecer músicos piortugueses ao público espanhol". Assim, o festival recebeu um quarteto liderado por Sofia Diniz, com duas violas de gamba, cravo, e tiorba. Um quarteto que, na verdade, mais do que português é ibérico ou mesmo europeu, já que além dos portugueses Sofia Diniz e Fernanado Miguel Jalôto (ela vive em Colónia e ele em Barcelona), é composto pelo espanhol Josep Maria Martí e o alemão Holger Faust-Peters. O reportório, para completar o cosmopolitismo, é francês, de compositores como Jacques Morel. "A gravação deste reportório na íntegra, no disco "La Lyre d' Apollon", foi um feito musicológico inédito - afirma José António Falcão, o diretor geral do Festival. O concerto, de extrema beleza, concluiu-se, já no "encore", com a participação especial da flautista Joana Amorim. Vela del Campo chama a atenção para o facto: "Diz-se que a viola de gamba é o instrumento que mais se parece com a voz humana e aqui percebe-se porquê". De resto, o diretor artístico afirma: "É sempre muito difícil fecahar a programação para este festival, porque os músicos aceitam facilmente ir a Lisboa ou a Madrid, mas quando se fala em Olivença, Beja ou Odemira, começam a tentar perceber onde é que fica no mapa".(CONTINUA)
De olivencalivre a 27 de Março de 2019 às 15:25
PARTE 3 (FINAL)
JORNAL DE LETRAS, 27 de março a 9 de abril de 2019
Uma das grandes virtudes do Terras Sem Sombra é precisamente a descentralização. O festival, que existe há 15 anos, sempre sob a direção de José António Falcão, tem como propósito basilar, segundo diz o próprio: "Levar a música erudita ao sul de Portugal onde nada ou quase nada existia, aproveitando o restauro de alguns espaços religiosos". Falcão, de resto, é um historiador de arte, especialista em arte sacra. O festival descentralizou-se tanto que até passou a fronteira. "Está a ser uma experiência para nós, não ficámos particularmente satisfeitos com todos os pormenores da organização, mas havemos de melhorar", diz. Nesta ideia de expansão, também parte a de uma comunhão de públicos e de recursos da zona raiana. A extensão em Olivença contou, naturalmente, com vários apoios do lado espanhol.
"No próximo ano", revela, por seu turno, Vela del Campo, caso se repita a passagem por Olivença, "gostaria de trazer o reportório de Vicente Lusitano, um compositor português nascido nesta cidade". Para o ano, estamos certos, muitas novidades haverá. Mas sobre o sol do Terras sem Sombra a procissão ainda vai no adro. A próxima paragem é Beja, dias 6 e 7 de abril, onde haverá um concerto dos americanos The Delphi Trio (os Estados Unidos são o país convidado desta edição). Mas José António Falcão fala-nos, com particular entusiasmo de Cuba do Alentejo, dias 4 e 5 de maio, onde, além do concerto de Manila Adap e Alberto Urroz, se vai celebrar a escrita de Fialho de Almeida, num itinerário cultural (FIM)

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